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Deserto do Atacama e Salar do Uyuni-Dia 2|Parte 2

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Após saber um pouco mais da história e cultura da região, por volta das 4:30PM partimos para a segunda parte do dia rumo a um dos passeios mais conhecidos aqui do Atacama: Vale da Lua e da Morte. Quando comecei a descobrir e pesquisar sobre o Atacama, pensava que os dois vales se tratavam de um coisa só e que os passeios por aqui fossem atrações únicas ou desertos clássicos, como aqueles que estão em nosso imaginário desde a época dos desenhos animados. Muita areia, oásis, miragens e alguns camelos. Isto também existe aqui no Atacama, mas com muitos outros ingredientes. Para começar, não existem camelos por aqui, mas animais da mesma família (camelídeos),como lhamas, alpacas e vicuñas. Boa parte região integra a Reserva Nacional dos Flamencos, administrada pela Conaf e compreende cerca de 74 mil hectares.

O VALE DA LUA ou “Valle de La Luna” está localizado a poucos km do centro de San Pedro de Atacama e pode, facilmente, ser alcançada pedalando ou cavalgando. O Vale se encontra em plena Cordilheira de Sal, da qual já tratei no post do Dia 1 e que está paralela a Cordilheira dos Andes, a Cordilheira de Domeyko e ao Salar de Atacama. A Cordilheira e suas várias camadas de sedimentos foram sendo moldados através do tempo pela erosão do vento, da chuva e de outros agentes atmosféricos, fazendo surgir impessionantes  formas, cores e brilhos minerais, compostos basicamente de sal, gesso, clorato, borato e argila. O resultado é uma incrível paisagem inóspita, de diferentes tons de vermelho e espetaculares  esculturas naturais.

Vale da Lua visto do Mirante de Cari

Vale da Lua visto do Mirante de Cari

A nossa primeira parada é no MIRANTE DE CARI, de onde pudemos ter uma linda vista do Vale e podemos nos situar geograficamente. Dali avistamos os Andes e o Salar do Atacama. A ausência de vida animal e vegetal, a falta de umidade, além da grande extensão de areia salpicadas pelo branco do sal que sobe a superfície, nos dá a sensação de estarmos em algum cenário de filme de ficção científica, em outro planeta e até mesmo na lua. Ali compreendemos a razão do nome deste lugar que dizem que foi dado por Gustavo Le Paige, o protagonista do post anterior. Este é o lugar preferido da NASA quando quer testar seus protótipos já que, de acordo com os seus cientistas , é o lugar da Terra mais parecido geologicamente com Marte. Depois da contemplação vem a diversão dos fotógrafos e turistas, já que com muita habilidade e criatividade é possível tirar fotos incríveis e dignas de um porta-retrato ou  “foto de capa” do Facebook. O cenário mais procurado e concorrido é a PEDRA DO COYOTE e pela foto abaixo nem preciso explicar a razão da disputa:

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Dali partimos para o VALE DA MORTE, bem próximo do Mirante de Cari. O vale possui 2 km de extensão e do Mirante é possível ver uma paisagem avermelhada e semelhante ao Vale da Lua, mas com algumas dunas e a Cordilheira dos Andes ao fundo. A cadeia de vulcões e seus picos nevados se fundem com o belo céu atacamenho e nos mostra um horizonte incrível e de tirar o fôlego. Normalmente, os tours fazem apenas uma pequena e rápida parada por aqui e não o cruzam por completo. Mas para quem quiser explorar mais esse Vale, existe a possibilidade de fazer um passeio específico para cá ou ir até o local em cavalos. No entanto, a grande “pegada” do lugar é a prática de SANDBOARD. É possível encontrar passeios (inclusive noturnos) que incluem transporte, prancha e instrutor e é uma ótima combinação de adrenalina e aventura com um visual incrível e bem diferente de tudo que você já viu e vivenciou!

Vale da Morte

Vale da Morte

Existem algumas teorias para o nome do lugar. A primeira porque o local é muito seco e não há vida. Outra, por uma confusão de nomes. Quando Le Paige viu este lugar pela primeira vez, o chamou de “Vale de Marte”, devido à cor avermelhada do solo, como o planeta vermelho. Ao pronunciar “Marte” em francês, confundiram com “morte” e o nome pegou. E uma última que dizia que quando as pessoas estavam muito doentes, os indígenas levavam a pessoa até este Vale e deixavam que a “Pacha Mama” decidisse seu destino. E por muitas pessoas terem morrido neste local, o nome ficou como Vale da Morte. Eu, sinceramente, não sei em qual acreditar, já que todas me parecem bem plausíveis.

Do Vale da Morte seguimos diretamente para a entrada da Reserva. No trajeto passamos pelas TRÊS MARIAS, um rochedo de três pontas que lembram três mulheres e o ANFITEATRO, que visto de cima, lembra uma imensa arena. Bem próximo de onde se paga a entrada do parque de 2.500 pesos chilenos por pessoa (cerca de R$15), existe uma caverna e algumas fendas para atravessar (com o auxilio de lanternas) e depois uma pequena escalada em um morro para ter mais uma vez uma bela vista do local. Não há grandes dificuldades neste passeio, desde que você não tenha problemas de claustrofobia ou de coluna e joelho, já que algumas vezes é preciso agachar bastante e andar curvado. O interessante é verificar a presença de corais petrificados e de cristais de sal nas paredes, já que a cordilheira de sal é um lago emergido há mais de 23 milhões de anos. Saímos dali e seguimos para uma parede de pedra, onde pudemos ouvir bem sutilmente o barulho dos cristais de sal dilatando e se encolhendo conforme a temperatura. O barulho lembra muito, mas em menor proporção, o ranger do gelo nos glaciares.

Corais petrificados e cristais de sal em destaque

Corais petrificados e cristais de sal em destaque

E, por fim, seguimos para a DUNA MAYOR, onde pudemos ver o tão esperado pôr-do-sol.  A subida é um pouco cansativa, mas totalmente recompensadora. O entardecer deixa as cores avermelhadas desta parte do deserto ainda mais fortes e belas. A sensação é mágica, principalmente pela presença da lua cheia neste dia. Nunca vi uma paisagem tão distinta, tão natural e tão linda! Um verdadeiro espetáculo da natureza que, com  aquela aparência tão intocada e selvagem, te leva, mesmo que por alguns instantes, para um mundo paralelo, onde parece não existir mais ninguém. Apenas você e Deus! Naquele momento eu só pensava que eu precisa ter visto isso antes de morrer.  Senti uma das sensações mais magníficas da minha vida, uma mistura de emoção, prazer, paz e de sonho realizado. E são momentos como estes que me fazem refletir sobre a soberania de Deus. Além disso, me realizo como pessoa e reafirmo a certeza que me move: viajar nos faz mais ricos! A cada viagem que eu faço, eu conheço mais, atravesso barreiras internas, supero meus limites e expando meus horizontes. Enfim, viajar me transforma em uma pessoa melhor e não só para mim, mas para os outros também.

Sequência pôr-do-sol!

Sequência pôr-do-sol!

Sequência pôr-do-sol!

Sequência pôr-do-sol!

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Sequência pôr-do-sol!

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Sequência pôr-do-sol

Nesta noite jantei no hotel, pois apesar da realização,  chegamos tarde e o dia foi cheio! Precisava descansar para aguentar 4 horas de bike pela manhã e a tarde Laguna Cejar!

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Semana Santa na América do Sul | O que abre e o que fecha

Santiago do Chile, meu destino escolhido para passar a Semana Santa em 2012

Santiago do Chile | Meu destino da Semana Santa em 2012

A Semana Santa está chegando e muitos brasileiros aproveitam a data para visitar os países vizinhos aqui da América do Sul. No ano passado fiz isso e escolhi a capital do Chile para aproveitar o feriado de uma forma diferente e sem gastar muito. Em alguns destinos existem festividades locais que só podem ser vistas pelos turistas que viajam nesta época. O único problema é ver suas expectativas e planos de viagem irem por água abaixo ao descobrir que muitas coisas fecham durante este feriado. Para evitar surpresas desagradáveis ou contratempos, o Esporte na Mochila preparou este post com dicas do que abre e o que fecha durante a Páscoa em algumas das principais capitais da América do Sul.

Santiago – Chile

Visitei Santiago durante a Semana Santa no ano passado e pude notar que o feriado é muito importante para os chilenos. A sexta-feira é o dia com mais estabelecimentos fechados. O comércio de rua fica fechado de sexta à domingo. Os shopping fecham na sexta-feira, mas abrem no sábado e no domingo normalmente.

Quanto aos restaurantes aconselho ligar daqui do Brasil, perguntar e, se estiver aberto, reservar. Consegui visitar quase todos da minha lista, mas faltou um dos mais recomendados (Aqui esta Coco) que permaneceu fechado durante todo o feriado. Os restaurantes do Mercado Central abrem todos os dias, do meio-dia às 18 horas.

Os parques ficam abertos todos os dias, inclusive o passeio de funicular no Cerro San Cristobal. Também abre todos os dias a “La Chascona”, casa/museu onde Pablo Neruda pasosu uma parte de sua vida.

A maioria das vinícolas fecham, mas consegui visitar no sábado a “Concha y Toro”. Também aconselho reservar data e horário no site, antes de ir. No dia que visitei estava bem cheia.

Um ótimo passeio para fazer em um dos dias do feriado é um bate-volta para Valparaíso e Vina Del Mar. Se tivesse um terceiro dia livre iria com certeza.

Se quiser saber meu roteiro de dois dias por Santiago durante a Semana Santa, basta clicar nos links abaixo:

Dois dias em Santiago – 1o dia

Dois dias em Santiago – 2o dia

Buenos Aires – Argentina

Lá também é feriado na sexta-feira, mas no sábado o comércio de rua em Buenos Aires funciona normalmente. Já a famosa Feira de San Telmo e os museus funcionam todos os dias, inclusive sexta e domingo.

Para restaurantes siga a mesma regra de Santiago: ligue com antecedência e faça reservas, principalmente para sexta e domingo.

Outra dica para feriado é fazer um bate-volta para Colonia ou Tigre.

Montevidéu – Uruguai

O Uruguai vem sendo considerado por muitos especialistas em viagem o país da vez e este feriado é uma ótima oportunidade para conhecer sua capital. A vantagem de ir para Montevidéu nesta época é encontrar a cidade vazia e toda disponível para os turistas. A maioria dos uruguaios aproveita a Semana Santa, onde também é comemorada a Semana do Turismo, para viajar a semana inteira.

O Mercado del puerto abre todos os dias e nos restaurantes há reserva é sempre recomendada.

Punta del Este é sempre uma ótima pedida, mas não estará tão vazia quanto a capital. Se o agito não for o problema, vale a pena esticar por lá, já que a cidade fica tão animada quanto no verão.

No que consiste a Semana Santa?

A Semana Santa é um dos feriados mais importantes para os cristãos, pois nela se comemora a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. A semana começa com o Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e termina com o Domingo de Páscoa, celebrando a ressurreição de Jesus Cristo.

Parque Bicentenário - Santigo do Chile | Parques são ótimas opções para curtir o feriado da Semana Santa!

Parque Bicentenário – Santigo do Chile | Parques são ótimas opções para curtir o feriado da Semana Santa!

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Dois dias em Santiago do Chile (Segundo dia)

Parque Bicentenário

O nosso segundo dia em Santiago foi marcado pela beleza dos parques e de como é bom estar ao livre na capital chilena. No primeiro dia pudemos conhecer e explorar o maior deles: o PMS – Parque Metropolitano de Santiago. Mas à medida que caminhamos e conhecemos mais a cidade, notamos que ela é repleta de áreas verdes, principalmente próximo ao curso do Rio Mapocho, o qual cruza praticamente toda cidade, como é o caso do Parque Bicentenário, localizado no Bairro Vitacura.

Nosso dia começou no  Parque Arauco, o shopping mais famoso do Chile. Vale a pena a visita mesmo que o objetivo de sua viagem não seja comprar, pois o seu grande diferencial é um “boulevard” ao livre com muitas opções gastronômicas e de entretenimento como cinema, teatro e pista de patinação no gelo. O shopping está localizado na parte nordeste de Santiago, em um bairro chamado El Golf. A parte alta do bairro, onde está o Parque Arauco e  as famosas avenidas Isidora Goyenechea e El Bosque, recebeu este nome devido à proximidade do Clube de Golf Los Leones. Trata-se de um bairro luxuoso, repleto de restaurantes, cafés e hotéis cinco-estrelas. Pouco restou do passado residencial da área e a maioria das antigas mansões e casas luxuosas se transformaram hoje em restaurantes. A parte baixa do bairro El Golf foi apelidada de “Sanhattan”, uma mistura dos nomes Santiago e Manhattan, pois é conhecida como a nova zona financeira da cidade. Entre os prédios comerciais mais conhecidos estão o moderno “Titanium”, repleto de vidros e espelhos, e o megaprojeto Costanera Center, um edificio de 60 andares, ainda em construção, mas que promete ser o prédio mais alto da América do Sul. O bairro El Golf, também conhecido como Las Condes, ainda conta com um Centro Cultural (Centro Cívico e Teatro Municipal): um conjunto supermoderno concluído em 2012 e que conta com locais para exposições e um teatro subterrâneo com 800 lugares.

Um pouco mais ao norte  está o bairro de Vitacura. O nome deste bairro está relacionado com a chegada dos incas, quando uma parte deles se instalou na margem do Rio Mapocho e um dos caciques mais importantes convocado por Pedro Valdivia, o fundador de Santiago, foi “Butacura” (que significa “pedra grande”). Atualmente, o bairro é conhecido com a zona residencial mais exclusiva e ocupada pela elite de Santiago. Neste bairro está a avenida Alonso de Córdova, a “Rodeo Drive” ou “Oscar Freire” da cidade, onde em uma extensão de aproximadamente 1 km estão localizadas lojas de grifes poderosas como “Louis Vuitton” e “Longchamp”, além de diversas galerias de arte e a sede do CEPAL (Comissão Ecônomica para a América Latina e Caribe), um organismo da ONU, que ocupa um lindo prédio projetado pelo arquiteto chileno Emilio Duhart. Para apreciadores da boa gastronomia uma dica é visitar restaurantes badaldos localizados da Avenida Nueva Costanera, como La Mar, OX e Terra Noble (fui jantar e recomendo).

Parque Bicentenário

Restaurante Mestizo visto do Parque Bicentenário

Depois de conhecermos o Parque Arauco nos dirigimos ao Parque Bicentenário, localizado no bairro de Vitacura. Esta ampla área verde às margens do rio Mapocho conta com lagoas e trilhas, além de cadeiras e guarda-sóis gratuitos, para sentar, descansar e apreciar a paisagem. O parque funciona como palco para diversos eventos ao ar livre, dentre eles feiras de artesanato. Apenas uma observação para quem gosta de artesanato: uma ótima dica é visitar o Pueblo Los Dominicos, um complexo com cerca de 160 pequenas lojas e /ou ateliês de artesãos. Está localizado a 5 estações de Metrô da estação “El Golf” e os melhores dias para visitar são sábado e domingo, pois concide com a celebração de missas na Iglesia Los Dominicos, a qual está representada na nota de 2 mil pesos e é considerada patrimônio nacional. Após nosso passeio pelo Parque Bicentenário, fomos almoçar no restaurante Mestizo. A comida é boa, e o seu grande diferencial é a incrível vista para o Parque!

Concha y Toro

Dali seguimos direto para a vinícola Concha y Toro. Não preciso ser nenhuma especialista para saber da  fama dos vinhos chilenos e seria um pecado não conhecer mais de perto essa “preciosidade”. A boa reputação dos vinhos chilenos no mercado internacional é relativamente recente.  Tudo isso se deve ao “terroir” chileno, ou seja, uma mistura de fatores (relevo, solo, clima,etc.) que fazem com quem o Chile tenha condições quase que perfeitas para produzir vinhos de altíssima qualidade. E foi diante deste potencial que, nos anos 90, produtores de países como França, Austrália e Estados Unidos se juntaram a vinicultores locais e investiram pesado em tecnologia. Inclusive, à titulo de curiosidade, existe uma uva de nome Carmènere que já foi extinta por uma praga há tempos na França e que hoje só é encontrada no Chile e em nenhum outro lugar do mundo. O motivo desta exclusividade chilena se dá graças a Cordilheira dos Andes, que funciona como “cofre” da uva e a mantém  segura do ataque desta praga, pois é o único lugar do mundo onde ela não consegue ultrapassar. Hoje são cerca de 100 vinicolas e a maioria está localizada a menos de 1 hora de Santiago e muitas delas estão abertas para visitação, como a Concha y Toro, Santa Rita, Cousiño Macul e Undurraga. Para tanto, basta mandar um e-mail ou telefonar para marcar um horário e conhecer as plantações, acompanhar de perto a sua produção e, por fim, degustar os vinhos. A Concha y Toro possui algumas opções de visitas com guias em inglês ou espanhol. Fizemos a básica, que dura praticamente 1 hora. Nela pudemos experimentar as uvas diretamente da parreira, além de conhecer as dependências da vinicola (inclusive o porão onde “descansa” o famoso vinho Casillero del Diablo)  e adquirir produtos e garrafas com preços especiais. Ali encerramos as nossas 48 horas em Santiago e, em breve, voltaremos para conhecer as muitas outras atrações que o Chile tem para nos oferecer.

Casillero del Diablo – Concha y Toro

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Dois dias em Santiago do Chile (Primeiro dia)

Vindo de São Paulo, o voo até Santiago dura em média 4 horas. Já é possível vizualizar do avião a marca registrada da cidade: a Cordilheira dos Andes. A fileira de montanhas, que em grande parte do ano está com seus picos cobertos de neve, pode ser vista de toda a cidade e tem função de bússola para os turistas: se a Cordilheira estiver à sua direita, você está mirando o norte e se estiver à sua esquerda, o sul. A viagem de taxi do aeroporto Comodoro Arturo Merino Benitez até o centro da cidade  dura mais ou menos 30 minutos. A capital chilena, com seus 5,5 milhões de habitantes, é esparramada e com construções não muito altas, já que o custo para construir prédios é muito cara, pois precisam de tecnologia para proteção contra os terremotos que ocasionalmente atingem o país. Outro traço marcante na paisagem da cidade é a poluição. Nada que assuste uma paulistana como eu, mas como podem notar na foto acima, a densa camada de sujeira pode atrapalhar a beleza de uma foto. Por ser plana, a melhor forma de desbravar a cidade é a pé. Mas para percorrer grandes distâncias, a forma mais rápida e barata é o metrô, que possui linhas e estações bem próximas dos principais monumentos e locais de interesse dos turistas. No entanto, em horários de pico e à noite é melhor que se utilize os taxis, numerosos pela cidade e normalmente não muito caros. Outra forma de transporte, que eu utilizei e recomendo é o turistik. Trata-se de um ônibus de turismo de dois andares com o sistema “hop on/hop off”, de onde é possível subir e descer quantas vezes quiser durante o trajeto que inclui 13 paradas nas principais atrações da cidade.

Começamos nosso primeiro dia na “La Chascona”, uma das casas do escritor chileno Pablo Neruda. Ali o poeta e vencedor do prêmio nobel de literatura viveu até sua morte com sua terceira e última esposa Matilde. O mar foi a grande inspiração de Neruda na construção desta casa, a qual deu o apelido de “La Chascona” (descabelada) em homenagem à vasta cabeleira de sua amada. Vale a pena conhecer, mas é preciso reservar previamente sua visita por telefone ou através do site da Fundação Neruda (http://www.fundacionneruda.org/en/la-chascona/address.html).

Funiculare

Logo em seguida, cerca de 200m dali, já está a entrada do funiculare que nos levou ao alto do Cerro San Cristóbal (é possível também subir de carro, a pé ou bicicleta). O morro, com seus 860m de altura, é na verdade um Parque (PMS – Parque Metropolitano de Santiago) que oferece a seus visitantes, além de uma maravilhosa vista da cidade, muitas outras atrações, tais como zoológico, piscinas públicas, jardins, museus e restaurantes, além da famosa estátua da “Virgen de la Inmaculada”. O Parque é imenso e conta com um público muito diversos: idosos, adultos, crianças, ciclistas, corredores e como era “viernes santo”(sexta-feira santa) também muitos cristãos acendendo suas velas e fazendo suas orações. Apenas uma observação quanto ao feriado:  o Chile é um país cuja maioria da população é católica e, por isso, grande parte do comércio de rua e restaurantes não abrem na sexta e alguns no sábado e domingo também. Fica a dica para você que está programando sua viagem para Santiago nesta data.

Mercado Central

Restaurante Donde Augusto

Assim que descemos o morro, pegamos nosso ônibus da turistik e seguimos rumo ao Mercado Central. Em nosso caminho passamos pelas ruas do bairro Bellavista, conhecido como polo cultural de Santiago, com diversos teatros, cafés, restaurantes e pubs. Muitos deles estão concentrados no Patio Bellavista, um centro gastrônomico e de compras, muito interessante para se conhecer e visitar principalmente à noite. Ao chegar ao Mercado Central nos deparamos com uma construção térrea e de estilo neo-clássico, o qual foi criado inicialmente para servir de centro exposições de artistas nacionais, mas que em 1872 foi inaugurado como Mercado. O local estava cheio por conta do feriado, pois todos (chilenos e turistas) queriam apreciar os pratos com peixes e mariscos preparados pelos restaurantes que funcionam na praça interna do Mercado. O mais famoso deles, o Donde Augusto, foi a nossa opção e lá pude provar o congrio, peixe tradicional da região na cia de um belo e refrescante vinho branco.

Palacio de la Moneda

Após nosso delicioso almoço, partimos rumo ao centro histórico, mais precisamente até a “Plaza de la Constituición”. Em torno desta esplanada triangular é possível encontrar alguns dos prédios mais importantes ligados ao Poder Executivo Chileno, dentre os quais destaco o “Palacio de la Moneda”, a sede da presidiência do Chile. Apesar da sua aparência imponenente e neo-clássica, o seu interior, que também pode ser visitado, recebe uma decoração contemporânea e conta também com um Centro Cultural que abriga mostras internacionais e show de artistas chilenos. Em frente ao Palácio acontece a troca da guarda a cada dois dias, às 10 da manhã.

Saindo da “Praça de la Constituición” rumo à “Plaza de Armas” é impresíndivel passar pelos calçadões do centro, principalmente nos Paseos Ahumada e Huérfanos. A maioria das lojas estavam fechadas pelo feriado, mas tivemos a sorte de conferir e comprovar o famoso “cafés con piernas” no Café Haiti. São célebres e respeitáveis estabelecimentos chilenos onde clientes (homens e mulheres) são servidos por garçonetes com minissaias.

Catedral Metrpolitana

Continuando nossa caminhada pelo Paseo Ahumada, nos deparamos com outra famosa praça da capital chilena, a “Plaza de Armas”, o marco zero e centro simbólico de Santiago. Foi projetada de acordo com a tradição espanhola de reservar um quarteirão da cidade para desfiles e agora é um ponto de encontro de estudantes, pregadores, artistas de rua e pedintes. Ali é possível contemplar os edificios históricos mais relevantes da cidades: a Catedral Metropolitana, a Prefeitura de Santiago, o Correio Central, o ex- Congresso Nacional, o Tribunal de Justiça, o Palácio de la Real Audiencia, o Museo Chileno de Arte Precolombiano e a Casa Colorada. O único local que pudemos entrar  e visitar foi a Catedral Metropolitana, onde estava acontecendo uma missa. Destaque para suaporta de entrada que foi esculpida por jesuitas e para o altar todo de mármore, bronze, lápis-lazúli (pedra semi-preciosa encontrada apenas nos Andes e no Afeganistão) e prata, trazido de Munique-Alemanha em 1912.

Ruas arborizadas e tranquilas no bairro da Providencia

Por fim, seguimos a pé pela Rua Compañia Merced desde a “Plaza de Armas” até o Cerro Santa Lucía, colina onde foi fundada em 12 de fevereiro de 1541 por Pedro de Valdivia a cidade de Santiago. O principal acesso é pela Avenida Alameda através  da escadaria que sai da “Plaza Neptune”. Dali é possível avistar no alto da colina o “Castillo Hidalgo”, erguido pelos realistas na guerra de independência entre os anos de 1814 e 1817. Ali, pegamos o turistik e seguimos em direção ao nosso hotel, no bairro Los Condes (que tratarei no próximo post) e no trajeto passamos pelo bairro da Providencia, famoso por suas ruas tranquilas e arborizadas, com muitas lojas, restaurantes e cafés. Na Providencia, destaco o Bar Liguria, com três endereços no mesmo bairro, atrai gente de todas as tribos oferecendo aperitivos, sanduíches e frios até 2 da manhã nos dias de semana e 5 da manhã nos fins de semana.

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