Turquia

Turquia Dia 8 | Bodrum

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Hotel The Marmara Bodrum

Hotel The Marmara Bodrum

Após passarmos apenas uma noite em Istambul, embarcamos na manhã seguinte no aeroporto Ataturk. O destino era Bodrum, uma cidade litorânea localizada no extremo sudoeste da Turquia. Após 1 hora de voo, desembarcamos no aeroporto, distante cerca de 30 minutos do centro da cidade e onde estava localizado nosso hotel. Como eram apenas duas noites de hospedagem decidimos ficar em um hotel mais sofisticado, da renomada rede turca The Marmara e também membro do Luxury Leading Hotels, uma organização que reúne os melhores e mais exclusivos hóteis de todo o mundo. Ele está localizado no alto de um morro, na parte mais alta da cidade e oferece a vista mais espetacular de Bodrum, tanto de dia quanto a noite. O atendimento, a estrutura, a comida, enfim, tudo aqui é perfeito e impecável. O nosso quarto era o mais básico e mesmo assim era fantástico. Para quem quiser e puder investir algumas liras a mais, a melhor suite do hotel possui, além de um quarto maravilhoso, um enorme terraço com jacuzzi de onde se pode ter uma linda vista da enseada e da marina, além do famoso Castelo de São Pedro. Assim que chegamos ao hotel, uma simpaticíssima moça chamada Meriç (pronuncia-se Mériti) nos explicou tudo sobre Bodrum e sua península. Indicou  em um mapa os melhores bares, restaurantes, lojas e passeios do local. Nunca vi uma moça tão educada e gentil! Antes de chegar na Turquia já havia visto em meus guias que Bodrum era a cidade mais importante de uma península de mesmo nome e que era possível fazer um passeio pelas praias e pelas cidades desta península. Já estava com a idéia de alugar um carro para este passeio e, claro, Meriç acertou todos os detalhes do aluguel para o dia seguinte.

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Como chegamos cedo ao hotel e o dia estava lindo e com um belo céu azul, resolvemos nos arrumar logo e descer para o centro da cidade para conhecermos o famoso Castelo de São Pedro, a mais famosa atração tuística da cidade. Saindo do hotel, andamos cerca de 100m e já estávamos em um ponto de taxi. O preço da corrida para o centro é fixado pelos próprios taxistas em 10 liras turcas, lembrando que estamos na baixa temporada. O centro é pequeno e muito fácil de se locomover. Olhando de frente para o mar, o Castelo está localizado no meio da orla, do lado direito está a Marina e uma rua cheia de restaurantes (os melhores da cidade, na minha opinião), e do lado esquerdo está outra rua cheia de lojas com artesanato local e produtos falsificados e na continuação muitos bares, com destaque para o bar Mandalin e o restaurante Orfoz (frutos do mar).

Marina e Castelo de São Pedro ao fundo

Marina e Castelo de São Pedro ao fundo

Vista do Castelo de São Pedro

Vista do Castelo de São Pedro

O Castelo de São Pedro foi construído pelos cavaleiros de São João, um dos grupos militares que participaram das Cruzadas, campanhas realizadas no mediterrâneo com o intuito de  tirar a Terra Santa dos muçulmanos, por volta do século XI. Em 1523, quando Solimão, o Magnifico, conquistou Rodes, tanto Bodrum como Rodes ficaram sob o domínio otomano e os cavaleiros fugiram para Malta. O Castelo ficou abandonado por séculos, virou prisão em 1895 e foi danificado por bombas francesas na 1a Guerra Mundial. Por volta da década de 60, alguns pescadores de esponjas locais começaram a armazenar produtos achados pela região e, após uma parceria turco-americana, o castelo foi restaurado e agora expoe tesouros submarinos encontrados pela Turquia. Para entrar  e visitar o castelo é preciso pagar 20 liras turcas por pessoa. Confesso que não achei nada demais na visita, mas a vista que se tem do alto de suas torres  é imperdível e vale o ingresso. Dali é possível ter uma visão 360 graus da cidade e de toda a sua enseada,  além de tirar fotos incríveis!

Avenida da Marina

Avenida  e calçadão da Marina

Marina vista do Castelo de São Pedro

Marina vista do Castelo de São Pedro

Saindo do Castelo de São Pedro, caminhamos pela rua da Marina. Além de ótimos restaurantes os quais destaco o Aquarium (frutos do mar), Tango (carnes e massas) e o bar Kuba. Ali na Marina também está a uma das baladas mais famosas da Turquia, a Halikarnas. Infelizmente não pude conhecer , pois só abre na alta temporada.  Mas como nosso objetivo era jantar no restaurante do hotel, o qual nos foi muito bem recomendado, resolvemos apenas petiscar alguma coisa e elegemos um restaurante/café chamado Vespa. Ele fica mais ao final da rua da Marina, no fundo de uma galeria ao ar livre muito elegante com lojas de grifes famosas, como Diesel e Paul & Shark, além de uma loja que estava com uma promoção fantástica de coisas para casa e acabamos comprando 3 peças de porcelana lindíssimas por menos de 100 liras turcas. E detalhe que não precisamos pechinchar! A loja também vendia peças de roupas masculinas e femininas lindas e com um ótimo preço. Por ser uma cidade bastante turística e que recebe uma grande quantidade de pessoas na alta temporada, Bodrum também conta com um shopping grande chamado Oasis, com diversas lojas, restaurantes e cinema, mas que fica um pouco afastado do centro, além do Midtown Bodrum, aberto em junho de 2012. Outra opção que nos foi recomenda foi um mercado de roupas e tecidos que acontece todas às 3as feiras ao lado da rodoviária e da Mesquita. Entramos e já saímos rapidamente, pois a maioria dos produtos eram falsificações de marcas famosas e, na minha opinião, Bodrum tem coisas muito mais bonitas e interessantes para se ver e não vale a pena gastar seu tempo aqui.

Por-do-sol em Bodrum

Por-do-sol em Bodrum

Mas Bodrum não é só comer, beber e comprar. Para quem gosta de passeios culturais, uma ótima opção é visitar  as ruínas do Mausoléu de Halicarnassus, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Teatro Antigo, um dos lugares mais bem conservados da antiga cidade de Halicarnassus e a Porta de Mindos,  demolida por Alexandre, o Grande, em 334 a. C. e restaurada em 1998. Outra opção interessante na cidade é o Museu Zeki Muren, dedicado a um dos mais talentosos e adorados cantores e compositores da Turquia, conhecido carinhosamente como “O Sol da Arte”, além do Bodrum Hamam, banho turco vinculado com o tradicional Çembelitas, localizado em Istambul que oferece um serviço bastante profissional e qualificado, honrando seus 500 anos de linhagem e tradição.

Vista do Tuti Restaurant, no The Marmara Hotel

Vista do Tuti Restaurant, no The Marmara Hotel

O nosso dia terminou em um jantar no restaurante do hotel, o Tuti Restaurant, comida e atendimentos impecáveis, além da vista (foto) que é um ingrediente a parte. Combinação perfeita para encerrar este lindo dia nesta cidade maravilhosa!

Sites úteis:

bodrum.themarmarahotels.com

http://www.bodrumhamami.com.tr

http://www.bodrumlife.com

http://www.bodrum.org

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Turquia Dia 7 | Çanakkale/Istambul

Ontem nossa viagem terminou em Çanakkale, uma cidade muito importante para a Turquia, pois fica no ponto mais reduzido do Estreito de Dardanelos, o qual pudemos avistar ontem em parte alta da antiga cidade de Tróia e que foi palco de diversos acontecimentos relevantes para a história da humanidade. Neste Estreito, em 450 a.C., o rei Xerxes da Pérsia construiu uma ponte feita de barcos para desembarcar suas tropas na Trácia e nessas águas, por volta de 400 a.C., ocorreram as batalhas  finais da Guerra de Peloponeso. Da cidade também é possível avistar duas fortalezas: Kilitbahir, do lado Europeu  e Çimenlik, do lado asiático junto ao porto de Çanakkale. Ambas foram construídas por Mehmet II, o Consquistador, nos preparativos para tomar Constantinopla em 1453. Mas o evento que mais marcou o Estreito de Dardanelos foi Guerra de Galípoli. Esta disputa ficou marcada como uma das mais sangrentas da primeira Guerra Mundial, a qual ceifou a vida de soldados turcos e aliados (Austrália, Grã-Bretanha, França, Índia e Nova Zelândia). De todos os países que lutaram em Galípoli, os australianos foram o que obtiveram maior prejuízo, pois perderam praticamente uma geração nesta Guerra. Por esta razão, em 1973, foi criado nas proximidades de Çanakkale o Parque Nacional Histórico de Galípoli. Todos os anos são celebradas missas e homenagens nos cemitérios e memoriais criados na região. Neste ano de 2012 , cerca de 40.000 australianos vieram, no dia 24 de abril, especialmente para homenagear seus soldados australianos que aqui perderam suas vidas.

Estreito de Dardanelos: de um lado Ásia, do outro Europa!

Calçadão de Çanakkale

Çanakkale é uma cidade portuária e, além de descansar, a grande vantagem de fazer um “pitstop” aqui, antes de chegar em Istambul, é conhecer uma cidade grande e tipicamente turca, diferente das últimas que visitamos, mais turísticas. Çanakkale significa “castelo de cerâmica” e foi considerada o centro e produção de caulim de alta qualidade para a indústria de cerâmica. Atualmente, esse tipo de arigila é importado, mas a louça vitrificada de Çanakkale ainda é um item importante nas exportações turcas. Quase todos os pontos de interesse estão localizados no centro, bem como o hotel que ficamos, o Akol. As acomodações não são muito boas, mas a comida e a localização são excelentes. Ele está à beira-mar, em uma rua muito agradável de caminhar, com diversas  opções de bares e restaurantes. A alguns passos do nosso hotel está exposto um enorme “Cavalo de Tróia” que, como havia mencionado no post anterior, foi o mesmo utilizado no filme americano “Tróia”. Vale a pena passear pelo “calçadão” em direção ao centro, pois caminhando você encontra uma pequena marina, alguns mosaicos no chão com o símbolo da cidade, lojas de comércio diversificado, os famosos restaurantes com seus kebabs que giram e uma torre com um relógio que mais parece um farol, que fica ainda mais bonito à noite quando está iluminado. A alguns passos dali está também a estação de ferryboat. O ferry liga Çanakkale, que está do lado  asiático, a Kilitbahir e Ecebat, no lado europeu e foi o que fizemos no dia seguinte bem cedo, quando partimos rumo a Istambul.

Cavalo de Tróia no centro de Çanakkale, o mesmo utilizado no filme americano.

Minaretes da Mesquita Azul

Depois de quase 4 horas de viagem chegamos à Istambul e já pude perceber o contraste desta cidade com as outras cidades que visitamos até agora. Além do enorme trânsito, que deixa qualquer marginal Pinheiros ou Tietê no chinelo, finalmente chegamos ao nosso hotel, situado no bairro de Sulthanamet e onde passaríamos apenas uma noite antes de embarcarmos para Bordrum no dia seguinte. O nome do hotel é President e pertence à rede Best Western. Fui aconselhada a ficar neste bairro, que é o mais antigo e o mais histórico de Istambul.  Além de estar muito próximo dos melhores monumentos, igrejas, mesquitas e hamams (banhos turcos) da cidade e a alguns passos do Grand Bazar. Mas tenho que confessar que a primeira impressão que tive não foi das melhores. Além  do trânsito intenso e a garoa que caia naquele momento, a sensação que tive foi estar me hospedando em um hotel na 25 de março, na Ladeira Porto Geral para ser mais precisa. Quem já foi sabe do que estou falando. A rua estava cheia de pessoas, turistas, moradores e comerciantes carregando mercadorias e outros vendendo objetos em lojas, barraquinhas e calçadas. Naquele momento tive medo de me decepcionar com Istambul e já estava me culpando por ter criado muitas expectativas sobre o lugar. Mas bastou sair para uma caminhada e perceber que tudo aquilo não passou de uma primeira impressão (ainda bem!).

Mesquita Azul e sua grandiosidade!

Hagia Sophia ou Santa Sofia iluminada

Eu acreditava que naquele dia não conseguiria conhecer nada em Istambul, mas estava enganada. Quando saimos do hotel já era noite, mas pude começar a perceber os encantos de Sulthanamet. Não que a desorganização e a bagunça tivesse sido desfeita, mas tudo que me incomodava a principio, deixou de ser um defeito e se tornou uma característica interessante e até um diferencial (positivo) de Istambul em relação as outras cidades turcas. É como se todos os povos e civilizações que habitaram aquele lugar tivessem deixado seu legado e todos ele estivessem concentrados em apenas uma rua. Nosso hotel ficava em uma ladeira (Tyatro caddesi) há dois quarteirões da rua principal de Sulthanamet, a Divanyolu Caddesi, e por onde também passa o bonde ou metro superficie, ótima opção de transporte e o qual utilizamos muitas outras vezes durante nossa estadia na capital turca. Caminhamos pela Divanyolu Caddesi rumo a praça de Sulthanamet, e não demorou 10 minutos para que já pudesse avistar alguns dos minaretes  cercados por gaivotas e a enorme cúpula da Mesquita Azul. Quando me deparei com a sua grandiosidade percebi que toda aquela impressão incial era apenas um preconceito e até me senti culpada por subestimar Istambul. Naquele momento estava começando umas das 5 orações diárias  dos mulçumanos. Coloquei meu lenço, tirei os sapatos e enquanto os muçulmanos faziam o seu ritual de oração, fiquei ali sentada no carpete admirando a grandiosidade e os lindos azulejos azuis que dão nome à Mesquita. De lá, atravessamos um jardim e já nos deparamos com a Hagia Sophia ou Santa Sofia para os brasileiros. Ela estava toda iluminada e ali pude compreender a grandiosidade e a magnitude da antiga capital romana do Oriente! De lá partimos para um restaurante muito bem recomendado e que foi vencedor do “Travelers Choice 2012” no site TripAdvisor.  O nome é Amedros Cafe & Restaurant e ali pudemos provar um dos pratos tradicionais da Turquia e originário da Capadócia: o Testi Kebab! São cubos de carne de cordeiro , com pimentões e um molho delicoso assado dentro de uma moringa de barro. Além de saboroso, o interessante é conferir todo o ritual para abrir a moringa. Toda vez que uma é aberta no restaurante é uma festa! O preço do prato é 72 liras turcas e serve duas pessoas. Os garçons dos restaurante são super simpáticos e atenciosos e não deixe de pedir o mezze como entrada, é divino!

Essas poucas horas que passamos em Istambul foram suficientes para que eu pudesse ter uma deliciosa introdução do que ainda estaria por vir em nossa última semana dos 18 dias aqui na Turquia. A vontade era de ficar e já experimentar um hamam (banho-turco), mas antes temos que conhecer Bodrum. Sua fama de Sain-Tropez turca não me sai da cabeça e tenhos minhas dúvidas se conseguirá me surpreender e me emocionar mais do que Pamukkale e  seus castelos de algodão. Amanhã mato a curiosidade e conto tudo aqui! Te vejo no post sobre Bodrum!

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Turquia Dia 6 | Kusadasi/Pérgamo/Tróia/Çanakkale

Hoje tivemos mais um dia de muita estrada. Saimos de Kusadasi bem cedo com destino a Çanakkale, cerca de  315 km distância, pois tivemos no caminho duas visitas importantes: Bergama (antiga Pérgamo) e Tróia. Todas essas cidades estão localizadas na costa oeste da Turquia e durante todo o caminho estivemos acompanhados do lindo e azul Mar Egeu.

Vista da antiga cidade de Pérgama

Aqui surgiu a idéia de serpente como símbolo da medicina

Pérgamo está situada no alto de um morro, acima da atual cidade de Bergama. É parada obrigatória, principalmente, para os fãs de história. Sua incrível acrópole revela um dos principais centros de ensino de toda a antiguidade. A biblioteca de Pérgamo foi uma das importantes daquela época, juntamente com a de Alexandria e a de Celso, que visitamos em Éfeso. A tradição da biblioteca é tamanha que seu nome batizou o pergaminho (escrita em pele de animal).  Apesar de ter sido fundada por gregos no século VIII a.C., Pérgamo só obteve seu ápice sob a dinastia pergamense, fundada por Eumenes I. Seu ultimo Rei, Átalo III, legou o reino à Roma em 133 a.C. e, assim, Pérgamo se tornou a capital da província romana da Ásia. Visitamos também o famoso centro médico dedicado à Esculápio (latim) ou Asclépio (grego), o deus da cura e da medicina, criado pelo grande e famoso médico Galeno, nascido e criado em Pérgamo. Ali eram destinados apenas pessoas com enfermidade mais leve, os demais eram encaminhados à Hierápolis, próximo à Pamukkale. Esta é a razão da necrópole que visitamos em Hierápolis ser bem maior. Esculápio parecia mais uma spa do que um hospital e vieram daqui os primeiros tratamentos  terapêuticos utilizando a psicoterapia, aromaterapia e dramaterapia. Além disso,  Pérgamo foi também uma das sete igrejas da Ásia Menor mencionadas no livro do Apocalipse, na Bíblia.

Algumas conchas ainda podem ser encontradas enquanto caminhamos pela cidade de Tróia, já que era uma cidade à beira do Mar Egeu.

Continuando nosso caminho e quase chegando em Çanakkale, paramos para conhecer as ruínas de Tróia (Truva, em turco), cidade eternizada pelo filme hollywoodiano, estrelado pelo galã Brad Pitt, o qual fazia o papel de Aquiles. O local é conhecido como Hisarlik ou “reino do castelo” em turco. É um dos locais mais escavados de toda a Turquia graças aos grandes patrocinadores que investem no local. O que se pode ver hoje são as bases das construções e parte das muralhas construídas em diferentes épocas que vão de 4000 a.C. até quase 300 d.C. Tróia é o pano de fundo da Ilíada de Homero e foi palco de uma Guerra que durou uma década, durante o século XIII. O mar chegava às portas de Tróia, razão pela qual ainda se pode encontrar conchas enquanto se caminha pela antiga cidade. O mar agora está a 1,5 km dali, mas do alto ainda é possível avistá-lo, inclusive o Estreito de Dardanelos (Palco da Batalha de Galipoli, na I Guerra Mundial). Um lugar interessante é o chamado Casa do Pilar, onde talvez tenha sido o palácio do rei Príamo, de onde assistiram a luta de Aquiles e Paris que vemos no filme, caso ela tenha realmente acontecido. Outro acontecimento relevante no local foi o saque de Heinrich Schliemann.  Este alemão alimentou por toda a vida o desejo de encontrar  a “Tróia de Homero” e em 1873, três anos depois de começar as escavações, encontrou por acaso um tesouro que afirmava ser as jóias do rei Príamo. O ambicioso explorador danificou o local, mas seus achados também foram positivos, pois demonstraram que a civilização grega havia começado mil anos antes do que se pensava. Ele tentou vender as jóias encontradas por um preço altíssimo durante toda a sua vida e, sem sucesso, antes de morrer deu de presente ao Kaiser. Parte do tesouro exposto em um museu de Berlim, desapareceu depois da Segunda Guerra Mundial e reapareceu no Museu de Pushkin, na Rússia, 1996. Mas a atração mais fotografada de Tróia, com toda certeza, é o “presente de grego” ou “cavalo de Tróia”. Trata-se de um enorme cavalo de madeira exposto na entrada, uma reconstituição turca do símbolo universal da traição, como todos nós sabemos. O cavalo utilizado no filme americano está exposto no centro de Çanakkale, nosso destino final de hoje.

Uma das entradas da cidade de Tróia

PERGAMINHO – SAIBA MAIS: Pergaminho é o nome dado a uma pele de animal, geralmente de cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha, preparada para nela se escrever. Esse importante suporte da escrita também foi muito utilizado na antiguidade ocidental, em especial na Idade Média, até a descoberta do papel pelos chineses. A invenção do pergaminho foi tão importante para a humanidade como a descoberta do fogo e a criação da roda. Foi o pergaminho que carregou a ciência e a arte da antiguidade para o período renascentista. No século II a.C. começou uma grande rivalidade entre as duas maiores bibliotecas do mundo, Pérgamo e Alexandria. Por esta razão, o governante de Alexandria proibiu a exportação do papiro para Pérgamo. Este entrave acarretou em um enorme comprometimento da escrita local e o rei de Pérgamo, Eumenes II, queria uma solução rápida para este problema, a qual foi encontrada pelo cientista Crates e o mestre Irodikos com a invenção do pergaminho. Cada pergaminho é único, a prova d’água, inflamável, muito resistente e agradável aos olhos durante a leitura. São estas características que fazer com o pergaminho seja imortal. As primeiras cópias dos livros santos de duas das maiores religiões do mundo, a Bíblia e Alcorão, foram escritos em pergaminhos, dentre muitos outros documentos importantes. Na atualidade o pergaminho é utilizado para a confecção de diplomas universitários, títulos e letras do Tesouro Nacional por ser considerado um material difícil de ser falsificado, graças às nuances naturais e à sua grande durabilidade. Antes comercializado apenas por empresas européias, hoje o pergaminho passou a ser uma fonte de renda importante para a região nordeste do Brasil.

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Turquia Dia 5 | Kusadasi/Éfeso/Selçuk/Kusadasi

Ontem viajamos de Pamukkale a Kusadasi, cerca de 3 horas de estrada, passando pelo vale do Rio Menderes, uma região de solo muito fértil. Chegamos em Kusadasi a noite e depois de fazer o check-in e tomar um belo banho, fomos jantar. As mesas do restaurante ficam em um andar superior e, mesmo escuro, já pudemos perceber que a vista dali era incrível e, enquanto jantava, imaginei um lindo entardecer e o sol se escondendo aos poucos atrás do Mar Egeu. Kusadasi é uma cidade bastante turística e serve como escala de muitos cruzeiros marítimos de luxo. O nome da cidade significa “Ilha do Pássaro” e do hotel era possível ver um forte genovês do século XIV que revela as origens comerciais da cidade, dada sua proximidade das Ilhas Gregas e da Itália. O nosso hotel, chamado Korumar, é praticamente um resort. Possui uma extensa área de lazer, incluindo piscinas cobertas, ao ar livre, deck na praia e nas pedras, com escadas que dão acesso ao Mar Egeu e de onde se pode nadar junto com pequenos peixes, além de jardins com espreguiçadeiras ou redes, todas elas com vistas de tirar o fôlego! Os pontos negativos foram a internet, com sinal péssimo ou inexistente durante toda nossa estadia e a comida que era servida em buffet, com uma qualidade que não condiz com o porte do hotel.

Rua Principal de Éfeso

Deusa Nike

Saímos bem cedo do nosso hotel para fazermos o nosso primeiro passeio do dia na cidade de Éfeso. Foi uma excelente idéia do nosso guia, pois além de ser mais fresco (enfrentamos calor de 32 graus e a visita é ao ar livre) fomos o primeiro grupo a chegar. Éfeso foi uma das maiores e mais importantes cidades da Antiguidade. Em sua época áurea, chegou a ter cerca de 250 mil habitantes, um número considerável para aquele tempo. Ali foi erguida, por volta de 1000 a.C., uma cidade grega, mas a cidade no formato das ruínas que visitamos hoje foi fundada no século 4 a.C., por Lisímaco, sucessor de Alexandre, o Grande. Mas foi apenas com o Império Romano que Éfeso se transformou no porto mais importante do Egeu. O mar, que antes chegava nas portas da cidade, devido a um assoreamento, acabou se afastando e hoje está a 6 km dali. A visita é longa, mas o destaque está para a Biblioteca de Celso, o Templo de Adriano e o Teatro, onde  muitos artistas modernos já se apresentaram, como por exemplo Elton John e o já falecido Luciano Pavarotti. Uma curiosidade é uma imagem de Nike, a deusa da vitória, na qual, com certeza, a grande e conhecida grife esportiva se inspirou para criar sua marca e logotipo. Se for mesmo verdade, o símbolo começa acima dos dedos da mão direita da deusa e vai contornando todo o seu braço.

Biblioteca de Celso

Éfeso também é uma cidade bastante famosa pelo seu grande papel na difusão do cristianismo. Mesmo que não sejam os primeiros cristãos a visitarem a cidade, foram os apóstolos Paulo e João que estabeleceram o cristianismo por ali. Acredita-se que João chegou a Éfeso e começou suas atividades missionárias antes que Paulo. E por esta razão que quando Paulo chegou ao oeste da Anatólia, já existiam muitas igrejas estabelecidas por lá. É possível que Paulo tenha escrito a maioria de suas epístolas em Éfeso. Algumas informações de sua estada em Éfeso estão detalhadas em suas epístolas, como quando teve que sair de Éfeso para ir visitar Corinto, com a finalidade de consolidar a igreja que ele mesmo fundou em sua segunda viagem. Mas o acontecimento mais importante que Paulo passou neste lugar foi, sem dúvida, a revolta dos comerciantes. Em uma das pregações de Paulo na cidade de Éfeso (dizem que estava falando para cerca de 25 mil pessoas), Demetrio, um próspero comerciante da região, começou a gritar e provocar o povo dizendo que Paulo estava insultando Artemisa. A população acabou acreditando e Paulo não teve outra escolha se não abandonar a cidade. Na verdade, Demetrio só começou a intriga, pois sentiu-se ameaçado por Paulo e poderia perder seu negócio, já que fazia e vendia pequenos  templos de Artemisa para vender aos peregrinos que por ali passavam.

Casa onde Maria, mãe de Jesus, passou seus últimos anos de vida.

A cidade de Éfeso fica entre dois morros e no alto de um deles, o Solmissus (Aladag), está a Casa de Maria, mãe de Jesus. Parece que foi ali que ela viveu os últimos anos de sua vida. Não há nenhuma citação na Bíblia sobre este fato, mas menciona que no momento da sua crucificação, Jesus, quando viu sua mãe e seu discípulo João disse a sua mãe: “Mulher, aqui está o seu filho” e na continuação disse ao discípulo: “Aqui está a sua mãe”. Esta é a razão pela qual, acredita-se, que João levou Maria para sua casa e mais tarde à Éfeso. Além disso, o Concílio de Éfeso (431) sustenta que Maria chegou à cidade com o apóstolo João e ali viveu e morreu. A  localização exata da casa foi descoberta em meados do século XIX  graças a uma visão de Catherine Emmerich. Esta senhora alemã, que durante quinze anos esteve prostrada em uma cama e nunca havia estado perto de Éfeso, sonhou com a casa de Maria em uma montanha perto de Éfeso e a descreveu com muitos detalhes. No ano de 1891 foram descobertas as ruínas de um edifício exatamente no lugar onde a senhora havia situado a casa. Pouco depois ao descobrimento, o arcebispo de Esmirna (hoje Izmir) autorizou a celebração de uma missa próxima à construção e a declarou como um local de peregrinação. Catherine também descreveu o local do túmulo de Maria nos arredores da casa, mas este ainda não foi descoberto. Quando chegamos no local, por uma incrível “coincidência”, estava sendo celebrada uma missa em português.  Logo na entrada já é possível avistar um poço de onde Maria tirava sua água e também a partilhava com outros habitantes da região. Depois de uma pequena caminhada já é possível avistar uma pequena casa de pedra. Ali dentro não é permitido tirar fotos, mas posso descrever como uma casa simples com um pequeno altar e algumas imagens. O mais intrigante é o clima e a sensação dentro da casa. Por ser um local de fé, é impossível não se emocionar e se sentir tocado, vendo aquelas pessoas ajoelhadas em frente ao altar, clamando aos prantos sua petição. Saindo da casa e descendo um pouco, existe um paredão com 3 fontes, onde as pessoas bebem da água que creem ser milagrosa e de onde se pode encher garrafas e levá-las consigo como lembrança. Depois das fontes, todo o muro é coberto de inúmeros papéis amarrados, contendo ali os pedidos de seus fiéis. É um passeio imprescíndível, pela atmosfera de paz que envolve o local. Não é possível assegurar que Maria realmente tenha vivido e morrido ali, mas com certeza existe algo especial naquele lugar.

Entrada das ruínas da Basílica onde está enterrado o apóstolo João.

Encerramos nosso dia na Igreja de São João, localizada em Selçuk, cerca de 10 minutos de Éfeso. Localizada no morro Ayasoluk, ali se pode encontrar as ruinas de uma Igreja Bizantina do século VI, em forma de cruz, construída pelo Imperador Justiniano em homenagem ao apóstolo João.  Ali está também o túmulo do discípulo. Segundo os Atos apócrifos de João, Domiciniano (81-96), quando soube que  João estava pregando em Éfeso e fazendo discípulos, mandou buscá-lo e o fez beber um veneno com o objetivo de matá-lo. Como não teve efeito algum em João, Domiciniano ficou impressionado com o fato e o exilou na ilha de Patmos. Foi ali que João teve as revelações, as quais estão detalhadas no livro de Apocalispse, inclusive com as cartas às Sete Igrejas do Apocalipse da Asia Menor (atualmente, Turquia).  De cima das ruínas é possível avistar uma antiga mesquita seljúcida e apenas uma coluna, ou seja, o que sobrou do Templo de Artemis, umas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. De lá regressamos à Kusadasi e lembra o que imaginei ontem durante o jantar? Pois é, se tornou realidade! Como ainda estava de dia, pudemos aproveitar a piscina e apreciar, de uma confortável espreguiçadeira, o pôr-do-sol mais lindo que já vi na vida! Mais um presente dessa terra cheia de surpresas…

Pôr-do-sol em Kusadasi

 

 

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Turquia Dia 4 | Pamukkale/Hierápolis/Afrodisias/Kusadasi

Ontem fizemos uma viagem longa da Capadócia a Pamukkale, passando por Konya, a capital selejúcida, o primeiro império turco da Anatólia. Depois de praticamente 12 horas de estrada, chegamos ao hotel super cansados. Além dos castelos de algodão, Pamukkale é uma cidade famosa por suas águas termais e por este motivo atrai turistas de toda parte do mundo. A grande maioria dos hotéis possui piscinas termais, spas com massagens ou banho turco, jacuzzis e piscinas cobertas ou não. Ficamos no hotel Lycus River, anunciado como 5 estrelas mas, na minha opinião, não passa de três. A infra-estrutura de lazer é muito boa, mas o atendimento, os quartos e as refeições deixam muito a desejar. Um outro brasileiro que está viajando concosco ficou no Richmond, também em Pamukkale. Pelo que conversamos, os quartos do Richmond são bem melhores que os do Lycus River, bem como a infra-estrutura, mas também reclamou muito do atendimento grosseiro e da qualidade da comida. Neste ponto Pamukkale me decepcionou um pouco e ainda tem muito o que desenvolver, já que a região atrai muitos turistas de todas as partes do mundo e que merecem um atendimento muito melhor do que vivenciei aqui. Como estava dizendo, chegamos muito cansados ao hotel e resolvemos fazer uma massagem para relaxar. O “cardápio” de massagens era imenso e de variados preços, mas acabamos escolhendo uma que se chamava Medical Massage e tinha duração de 60 minutos. Até hoje foi a melhor massagem que já fiz, porém o preço não era tão agradável. Mas ficamos renovados para o dia seguinte, um dos mais esperados de toda a viagem!

Teatro de Hierápolis

Piscina Antiga ou de Cleopatra

Saimos bem cedo do hotel e nos dirigimos à Hieráopolis, uma cidade Greco-Romana, fundada pelo Rei de Pérgamo (Eumenes II) e ficou muito famosa no período helenístico pela cura milagrosa de  suas águas termais.  Por atrair pessoas muito doentes, sua necrópole é imensa e chegou a ser o maior cemitério antigo da Anatólia, com mais de 1200 túmulos. Ali também se destacam os arcos de Domiciano, o Martírio de São Felipe, onde foi crucificado e apedrejado, além do Teatro mais bem conservado da antiguidade. É preciso caminhar um pouco para se chegar até ele, mas todo o esforço vale a pena! Ali também é possível visitar a Piscina Antiga ou Piscina de Cleopatra, uma vez que ela também já se banhou ali. Trata-se de uma suntuosa piscina aberta ao público, com tom esverdeado e cercada de árvores e flores, cheia de fragmentos de colunas de mármore no fundo. Para visitar não precisa pagar nada, apenas se quiser nadar. Custa 30 liras turcas e pode ficar o tempo que quiser. Ao lado da piscina pude experimentar a novidade do momento, o Dr. Fish. Trata-se de um aquário com cerca de 100 peixes Garra Rufa, originários da região turca de Kangal. A idéia é colocar os pés ou as mãos dentro deste aquário e deixar que os peixes se alimentem de sua pele morta. Parece estranho, mas é apenas uma esfoliação natural. No começo dá um pouco de cócegas, mas no fim chega a ser até relaxante. O preço é U$20 por 20 minutos.

Doctor Fish: esfoliação natural!

Porém, o ponto alto deste passeio, com toda certeza, é Pamukkale e seus castelos de algodão. De longe parece uma montanha nevada com terraços naturais cheios de água. Mas, na verdade, são montanhas de mármore travertino que receberam água que brotava das fontes termais. Essa água era rica em minerais e ao entrar em contato com o mármore, perdiam dióxido de carbono e se transformava em depósitos de calcário. Há muito tempo a região enfrenta problemas de água e não é possível ver todos os degraus cheios de uma só vez. Eles revezam o abastecimento, de manhã de um lado da montanha e a tarde no outro lado. Mas isto não compromete em nada o espetáculo. Antes de vir para a Turquia havia lido que não era mais possível entrar  e se banhar nos terraços, de modo a preservá-las, já que Pamukkale foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Entretanto, tendo em vista a desilução dos turistas, recentemente resolveram abrir para o público. Não são totalmente originais, mas a beleza impessiona e emociona. Assim como o passeio de balão, é impossível descrever a sensação de estar ali, presenciando esta maravilha natural criada por Deus e, na minha opnião, esta foi Sua Obra-Prima. Confesso que lágrimas escorreram dos mues olhos enquanto estive ali e, enquanto isso, agradecia a Deus pela Sua criação e por ter me dado o privilégio  e a oportunidade de estar ali. Foi um momento único, mágico e que vou carregar na memória por toda a minha vida!

Templo de Afrodite

Estádio de Afrodisias

Antes de chegar a Kusadasi, nosso destino final, ainda conhecemos a cidade de Afrodisias. Desde o período Neolítico (5800 a.C.) já era um local de peregrinação, quando agricultores ali adoravam a deusa-mãe da fertilidade e das colheitas. Depois se transformou em um local dedicado à Afrodite, deusa do amor. Por esta razão, no século II, o local recebeu o nome de Afrodisias. Com a chegada dos romanos, a cidade passou a ser  além de um famoso destino religioso, um centro  cultural e artístico, muito conhecido por suas lindas esculturas de mármore, muitas delas expostas ali mesmo no Museu de Afrodisias.  Destaque para o Templo de Afrodite que, com a chegada dos bizantinos, se transformou em uma basílica cristã, além de seu magnífico Estádio.  É uma das estruturas mais bem preservadas e tinha capacidade para cerca de 30.000 pessoas. Só para se ter uma idéia é quase a atual capacidade do Estádio do Pacamebu, em São Paulo. Ali eram realizadas Olimpiadas a cada 2 anos, praticamente com os mesmos esportes que temos nas competicões atuais. De Afrodisias partimos rumo a Kusadasi,  nosso destino final de hoje e onde pudemos ter nosso merecido descanso para enfrentar mais um dia de forte emoções pela Turquia!

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Turquia Dia 3 | Capadócia/Konya/Pamukkale

Hoje nos despedimos da Capadócia e continuamos nossa viagem pelo interior da Turquia rumo a Pamukkale e seus castelos de algodão. A distância entre o vilarejo de Urgup, onde estávamos hospedados na Capadócia, e Pamukkale é de, aproximadamente, 680 km. Levamos praticamente 12 horas de uma cidade à outra, mas fizemos duas paradas muito interessantes pelo caminho, o que deixou a viagem um pouco menos cansativa.

Nossa primeira parada foi em uma Kervan Saray (palácio das caravanas) próxima à cidade de Sultahani, cerca de 1 hora e meia da Capadócia. Kervan Saray são hospedarias construidas pelo governo turco com o intuito de abrigar os comerciantes da rota da seda. Eles vinham da China e passavam pela região com o objetivo de se chegar à Istambul, mas tinham como destino final a cidade italiana de Veneza. Haviam hospedarias deste tipo por toda a rota, pois os camelos tinham que fazer uma parada para descansar a cada 30 km percorridos. O governo turco ofereceria a hospedagem de forma gratuita aos comerciantes, mas em troca tinham que pagar impostos para passar pela rota. Na época em que foi construída, por volta de 1230, esta era a maior hospedaria de toda a Turquia. E, posteriormente, surgiram outras ainda maiores. Foi apelidada como hospedaria do sultão, pois naquela época Konya era a capital do império seleujcida e por ficar próxima da capital, o sultão se hospedou ali por algumas vezes. Dentro da hospedaria havia um espaço externo bem grande para abrigar os camelos, uma mesquita e uma parte coberta para os dias de inverno, que nesta região são muito rigorosos. Haviam mais espaço para camelos do que pessoas, uma vez que cada comerciante poderia trazer consigo até 50 camelos em cada viagem.

Bonecos retratam a vida dos dervixes

Depois de mais 1 hora e meia de viagem fizemos uma outra parada, desta vez em Konya.  Esta cidade de 1 milhão de habitantes é muito conhecida pela cultura de beterrabas, trigo e girassóis. A cidade também abriga duas grandes indústrias automobilísticas (Mercedes e Toyota), além de fábricas de tratores, máquinários agrícolas e usinas de açúcar, extraído da beterraba. Tendo sido a capital do império seleújcida (como já mencionei anteriormente), Konya mantém seu ar conservador e passando pela cidade é possível ver muitas mulheres totalmente cobertas de roupas e véus.  Ali visitamos o Museu de Mevlana, conhecido como um dos maiores místicos do mundo islâmico. Foi ele que, no século XIII, fundou a seita Dervixe Mevlevi e sua maior obra é o Mesnevi. Sua filosofia ficou bastante conhecida através dos dervixes que rodopiam, pois Mevlana acreditava que a dança era um meio de induzir o indivíduo a um estado de êxtase e que te faz livre de toda a ansiedade, conduzindo à paciência e ao amor universal. A famosa cerimônia do rodopio é chamada de sema, a qual combina na sua prática elementos espirituais e intelectuais.. Além disso,  Mevlana era o grande líder dos sufistas. Sufi é uma palavra turca que significa lã. As roupas de Mevlana e dos dervixes eram feitas de lã para simbolizar o anti-materialismo, já que naquele tempo as pessoas mais poderosas e com maior poder aquisitivo usavam seda. O museu é uma ampliação dos alojamentos dos dervixes e ali é possível visitar tumbas (inclusive de Mevlana e seus familiares), a fonte das abluções, além dos locais onde os derviches dormiam, comiam e praticavam seus rituais. O ponto alto da visita é uma caixinha em destaque no meio de uma das salas do museu, onde se acredita estar pedaços da barba de Mevlana. É comum ver pessoas reverenciando e orando ao redor do objeto.

Parte interna do Museu Mevlana em Konya

Almoçamos em Aksehir, região famosa pelas cerejas e pela papoula. Um pouco antes de chegar à Pamukkale, na cidade de Dinar, parada obrigatória em um restaurante na beira da estrada para experimentar o iogurte coberto com mel e semente de papoula. Além de delicioso, dizem que é afrodisiaco, como quase tudo aqui na Turquia. O nome do restaurante é Akdeniz Tesileri, é pouco charmoso, mas vale a pena parar apenas para provar o iogurte. Por fim, chegada em Pamukkale exaustos, mas muito ansiosos pelos castelos de algodão!

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Turquia Dia 2 | Capadócia

Começo meu segundo dia na Turquia resgatando um dos momentos mais mágicos da minha vida: sobrevoar a Capadócia a bordo de um balão. Dali de cima, já era possível sentir o ar de mistério desta região. O verbo “sentir” é o mais apropriado, pois mesmo depois de conhecer de perto suas cavernas, igrejas e cidades subterrâneas, fica difícil descrever em termos físicos sua beleza, ao mesmo tempo, exótica e singular. Na antiga língua persa, Capadócia significava “terra de belos cavalos”. Mas o que realmente define esta área localizada bem no centro da Turquia são as extraodinárias esculturas cônicas, chamadas peri bacalari ou, simplesmente, “chaminés das fadas”. Essa paisagem surgiu há cerca de 30 milhões de anos, quando vulcões ativos cobriram a região com suas cinzas, as quais se solidificaram em um material de fácil erosão denominado tufa. Acima dela existe uma cobertura de basalto, a qual funciona como proteção e constitui a “tampa” destas chaminés.  A Capadócia cobre uma área de 300 km quadrados e possui vários vilarejos, dentre os quais destaco Nevsehir, Urgup (onde fica a maioria dos hotéis, inclusive o nosso) e Avanos. Cada um deles tem sua vida própria e ali é possível encontrar restaurantes, lojas, cafés, hotéis, museus e, claro, uma mesquita, já que a Turquia é 99,8% muçulmana.

Yunak Evleri | Nosso hotel na Capadócia – super recomendado!

Devido a sua origem vulcânica, o solo da Capadócia é muito fértil. A agricultura foi por muitos anos a principal atividade da região. Aqui se planta, principalmente, abóboras (apenas para consumo de suas sementes), trigo, batatas, grão-de-bico e uvas. Sim, a Capadócia também é famosa por seus vinhos, tintos ou brancos. Em nosso tour pela região pudemos conhecer o Vale das Pombas e ali está, segundo os vinicultores, o segredo para a boa qualidade de sua bebida. Neste local, os buracos nas pedras são feitos pelos homens e pintados de branco para atrair as pombas. O objetivo é recolher suas fezes para servir de adubo para as vinhas. Por volta dos anos 80, o turismo começou a se tornar a base da economia local e os habitantes da região começaram a migrar do campo para se dedicar à atividade turística. Até hoje, não existem redes hoteleiras famosas na Capadócia e os hotéis que hoje existem aqui são dirigidos por habitantes da região. Só para se ter uma idéia, em 2011 passaram por aqui cerca de 2 milhões de turistas.

Árvore repleta de olhos turcos na Vale das Pombas

Nosso passeio começou pelo Museu ao ar livre de Goreme. Neste vale estão concentradas capelas e monastérios escavados nas rochas de tufa. São Basílio, natural de Kayseri, chegou à região por volta do século IX d.C. e criou os dois primeiros monastérios com o objetivo de trazer o cristianismo para na região. As principais capelas do museu são as de Santa Bárbara e a Yilanli. Ali é possível apreciar a arquitetura original com toda sua simbologia e afrescos. Em ambas estão retratadas diversas passagens bíblicas, com destaque para São Jorge, nascido na região e retratado em ambas as igrejas matando um dragão/serpente, o símbolo do mal.

Goreme – museu a céu aberto

Em seguida, seguimos para uma das diversas cidades subterrâneas da Capadócia. Estima-se que cerca de 150 cidades subterrâneas foram construídas na região, mas apenas 36 delas foram descobertas até hoje. As primeiras surgiram com os hititas há cerca de 1500 a.C., mas foram as antigas comunidades cristãs que deram continuidade e expandiram essas cidades a partir do século VII d.C.. A função principal era a defesa e os cristãos chegavam a ficar 6 meses embaixo da terra. Essas cidades passaram a perder sua utilidade no século XI d.C. com a chegada dos turcos que trouxeram paz para os cristãos. O nome da cidade subterrânea que visitamos foi Derinkuyu, a segunda mais importante da região e com 8 andares subterrâneos, mas apenas 4 estão abertos para visitação. Existem cidades com até 12 andares subterrâneos e onde viviam até 20.000 pessoas.

Castelo de Uçishar

Ainda pudemos visitar o Castelo de Uçishar, também escavado nas pedras e em outro vale pudemos apreciar dezenas de chaminés de fadas, com uma vista panorâmica incrível! Se quiser aproveitar a noite, comer uma comida típica e apreciar um show com danças tradicionais da Turquia, vá ao Turkish Night. Existem várias opções e o que conhecemos foi o Uranos, no vilarejo de Avanos. A comida e o espetáculo são bons, vale a pena conhecer, mas aconselho não ir com grandes expectativas. Infelizmente não tenho dicas de restaurantes na Capadócia por culpa do nosso hotel (Yunak Evleri). Além de estar incluso no preço da diária, a comida de lá é deliciosa, de verdade!!! Mas um prato típico da região é o Testi Kebab, ou cordeiro na moringa, o qual apreciarei em um restaurante superrecomendado em Istambul, o Amedros. Mas durante meu passeio pelo centro de Urgup, reparei que existem muitos restaurantes locais que oferecem este prato, mas não posso indicar nenhum porque não experimentei.

Terminamos nosso passeio em uma loja de tapetes em Avanos, famosa por estar no Guiness Book como o melhor e mais fino tapete do mundo. Ele nos explicou que a diferença do tapete turco do persa está na quantidade de nós. No tapete turco são dois e no persa apenas 1. Além disso, os valores dos tapetes variam de acordo com o material. A ordem é a seguinte: kilim (mais barato), lã, algodão com lã, só algodão e seda (o mais caro e mais lindo também!). Quase todas as lojas de tapete (inclusive esta) entregam no Brasil sem custo algum, pois é um incentivo do governo turco e eles não perdem nada com isso. Mas caso consiga levar o tapete na sua mala, peça desconto. Além de apreciar os lindos tapetes na parte superior da loja e de bebericar um chá de maçã e/ou café turco, pudemos ver ao vivo algumas moças trabalhando em seus tapetes, além de nos explicar  e demonstrar como é feita a extração da seda diretamente do bicho. É impressionante o trabalho que dá para fazer alguns centímetros de tapete, é realmente uma obra de arte! Depois de presenciar tudo aquilo, você começa a reconhecer o trabalho dessas meninas que, infelizmente, não são remuneradas como deveriam e entende a razão das peças terem um valor alto. Mas isto não siginifica que não precise pechinchar. Pechinche e muito, quando você pensa que não há mais negócio, eles aceitam. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.

Hoje meu guia disse uma frase que é a mais pura verdade e é com ela que termino o post de hoje: “Existem duas grandes belezas na Capadócia. Uma delas  é o que está acima da terra e a outra é o que está embaixo dela.”

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Turquia Dia 1 | Istambul/Kayseri/Capadócia

A grande espera acabou e hoje, finalmente, começa nossa viagem pela Turquia! Embarcamos no aeroporto de Guarulhos rumo a Istambul e, depois de 11h e 45 minutos de viagem, desembarcamos no aeroporto Ataturk. Viemos pela Turkish Airlines, em voo direto, tranquilo e com um ótimo atendimento a bordo. Chegamos no aeroporto Ataturk, em Istambul, por volta da 17:00 e a impressão que tive foi de um aeroporto com uma boa estrutura, mas um pouco desorganizado. Principalmente na hora de pegar as bagagens na esteira, as quais demoraram bastante para chegar e ainda faltou uma de nossas malas. Uma dica importante é levar do seu país de origem uma moeda de 1 euro ou 1 lira turca. Você precisará dela para liberar os carrinhos de bagagens no aeroporto. Outra opção é ter uma amiga atenciosa como a minha que, já tendo vindo para cá e sabendo disso, me deu 2 liras turcas de presente (obrigada Sílvia!). O nosso problema com a mala extraviada não durou muito graças à generosidade dos turcos, que, rapidamente, encontraram nossa bagagem e, assim,  conseguimos seguir para o Terminal Doméstico, de onde partiu nossa conexão rumo à Kayseri, uma das cidades com aeroporto mais próxima da região da Capadócia (outra opção é o aeroporto localizado em Nevsehir). É possível chegar à Capadócia de ônibus ou carro, como muitas excursões fazem, inclusive com parada na capital Ancara, mas a nossa idéía era ganhar mais um dia no fim da viagem para conhecer um pouco mais de Istambul, nosso último destino antes de voltar para o Brasil.

A viagem para Kayseri também foi feita pela Turkish Airlines. Também muito tranquila, com um lanche simples, mas extremamente delicioso. No voo já pudemos perceber que a maioria ali era turistas e que grande parte deles eram pessoas com mais de 60 anos e de vários lugares do mundo.  O mais interessante foi ver que essas mesmas pessoas não retiravam  apenas malas da esteira, mas bicicletas, instrumentos de caminhada e trekking. Chegamos em Kayseri após 1 h de voo. O aeroporto é pequeno e tivemos outro problema com nossas malas, mas depois de conversar com algumas pessoas do aeroporto descobrimos que elas estavam em uma outra esteira, localizada em uma sala ao lado. Fomos recepcionados pelo guia local, um rapaz muito simpático e falante, cujo toque de celular era um forró cearense, lembrança de quando  passou o reveillon em Fortaleza, de 2010 para 2011. Durante todo o nosso percurso de Kayseri ao nosso hotel na Capadoccia, conversávamos sobre Brasil e Turquia e quando chegou no assunto futebol ele chegou mais perto e, como todo torcedor fanático, quis me provar que o time dele, o Trabzonspor, era o melhor e o maior campeão de toda a Turquia. Disse também que  foi por muito tempo, a única equipe ora de Istambul vencedora da liga turca e , claro, criticou e muito os outros times rivais. E pela sua fala pude perceber que aqui na Turquia, futebol também é uma paixão nacional!

Ao chegarmos em nosso hotel na Capadócia, o Yunak Everli, mais uma enorme surpresa! Mesmo a noite, já era possível notar o charme e o requinte de se hospedar em um hotel nas cavernas. Experiência que deve ser vivenciada aqui na Capadócia, mesmo que custe um pouco mais do que os outros. Tudo é lindo, desde à recepção aos quartos, realmente atendeu e superou as minhas expectativas (e olha que não eram pequenas)!

Na van rumo ao hotel já fomos acertando com o guia local o nosso passeio de balão para a manhã seguinte, pois além ser o nosso dia livre, tive a orientação de garantir logo no primeiro dia, pois não é possível saber as condições climáticas nos demais. Seria inadimissível para mim ir embora da Capadócia sem ter feito este passeio e, claro, realizar um sonho. Mesmo já sendo tarde da noite, conseguimos garantir nosso lugar em uma das diversas empresa que realizam este passeio, a Kapadokkya Ballons. É preciso acordar bem cedo, pois às 5:00AM a van já passa para buscar no hotel e seguir rumo à sede da empresa em Goreme. Dentro da loja existem cadeiras, algumas mesas, banheiros e também é servido um café com pães, bolachas, chá e café. O nosso passeio, de aproximadamente 45 min custou por pessoa U$170, mas existem passeios de mais tempo e, claro, mais caros. O preço assusta à princípio, mas posso garantir que vale cada centavo! Para nossa sorte e prazer, o dia e o clima estavam perfeitos para o voo. Em cada balão cabem umas 24 pessoas mais o piloto. Da sede da empresa você é levado por uma van até uma area descampada e assiste ao amanhecer enquanto o balão é cheio com ar quente. Mesmo do chão já é possível ver alguns outros pipocando pelo céu. Depois que todos estão seguramente dentro da cesta e de serem passadas todas as instruções para o pouso, o balão começa a subir. Não há movimentos bruscos. Vai subindo lentamente e não há espaço ou chance de sentir medo em momento algum. A partir daí, a única coisa para se fazer é apreciar o passeio e tentar registrar este momento com fotos ou com seus próprios olhos, mesmo sabendo que contar ou mostrar seus registros para alguém será em vão, pois só quem está ali sente a emoção de flutuar sobre as chaminés-de-fada. Experiência única e indescritível! Não tinha maneira melhor de começar a viagem e tenho certeza de que a Turquia ainda nos reserva muitas outras incríveis surpresas e sensações como essa!

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O que seria interessante saber antes de viajar para a Turquia | HISTÓRIA

Durante as minhas leituras e estudos sobre a Turquia, e conversando com amigos que foram recentemente para lá, surgiram algumas informações e curiosidades que julgo ser de enorme valia para quem vai ou imagina conhecer este destino, bem como para aquelas pessoas que, assim como eu, são curiosas ou fascinadas por conhecimento e informação. Para ficar mais dinâmico e fácil de ler, dividi em duas partes. Neste primeiro post falarei dos aspectos históricos gerais da Turquia e no próximo sobre os hábitos e costumes dos turcos.

1) A ANATÓLIA, península onde está localizada grande parte da extensão territorial da Turquia, é chamada de berço da civilização. Esopo, famoso por suas fábulas, Homero, o Rei Midas e Heródoto nasceram todos na Anatólia.

2) O idioma TURCO é  falado, como língua materna, por cerca 70 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente na Turquia, mas também no norte do Chipre, na Bulgária e, em menor número, na Grécia, Armência, Romência e Macedônia. O turco também é falado por milhões de imigrantes na União Européia e na América. Um estudo recente, o qual montou uma árvore genealógica de 103 línguas, mostrou que a origem dos idiomas europeus surgiu  de uma linguagem única, na Anatólia (atual Turquia) há 9000 anos.

3) O nome TURQUIA derivou de Türk que, nas antigas línguas turcomanas, significava “ser humano” ou “forte”. Outra versão é de que o nome Turquia originou de turquesa, pedra preciosa muito comum no país.

3) Existem muitas teorias sobre a origem exata da BANDEIRA turca. Dizem que a Lua Crescente e a Estrela branca (Ai Eildiz, em turco)  representam o islamismo, religião praticada pela grande maioria dos turcos e que seu fundo vermelho seria pelos diversos conflitos ao longo dos anos, sobretudo as batalhas sangrentas da Guerra da Independência turca. É provável que sua estética tenha sido idealizada de acordo com o símbolo do Império Otomano, pois as bandeiras são parecidas. No princípio, a bandeira turca era apenas uma média lua sobre um campo verde, modificada em 1793 quando o Sultão Selim III trocou o fundo verde por vermelho. Só em 1844, acrescentou-se a estrela, que, segundo algumas teorias, remonta a época do imperador romano Constantino (fundador de Constantinopla, atual Estambul), considerada na época, o símbolo da Virgem Maria. De todas as lendas sobre a bandeira, a mais aceita pela população turca é a de que Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República turca,  ao caminhar pelo campo na noite seguinte ao combate vitorioso durante a Guerra de Independência Turca, percebeu o reflexo da lua crescente e da estrela sobre um vasto fundo de sangue no terreno de uma colina de Sakarya.

4) O fundador da moderna República da Turquia foi Mustafá Kamal Pasha, ou Kamal ATATURK. Uma informação interessante: Atatürk é um título e significa “pai dos turcos”. Foi ele quem liderou os turcos na Guerra da Independência (1919 – 1923) e ao longo de seus 15 anos de mandato como presidente promoveu uma transformação e modernização radical no país. Sob Ataturk, o país passou a ser um estado laico, o califado foi abolido e as cortes religiosas foram extintas. Foi promovida uma reforma jurídica (elaboração de um novo código civil que conferia direitos iguais às mulheres), abrangendo questões como divórcio, custódia, herança e aboliu a poligamia. O ensino em medresses foi substituído por um ensino unificado, introduzindo o alfabeto latino no lugar da complexa escrita arábica. Alterou o sistema de pesos e medidas, calendário e abriu o país à cultura universal, investindo em artes e ciências. Até hoje sua popularidade é altíssima e para medir o grau de adoração dos turcos por Ataturk é só observar as milhares de estátuas e bustos erguidos a ele em todo o país. Ataturk morreu no dia 10 de novembro 1938 no palácio de Dolmabahce, mas  até hoje, a data de sua morte é lembrada pelo turcos com disparo de salvas de canhão e sirenes, pontualmente, na hora de sua morte (9h05) e, em seguida, um minuto de silêncio

5) Nem todo mundo sabe, mas TURCOS e OTOMANOS são praticamente o mesmo povo. O têrmo “otomano” veio do nome Osman, ou Otman (Uthman, em árabe). Otman (1258-1324) foi um líder que unificou as tribos turcas num império. O Império Otomano englobava partes da Europa (Balcãs e Cáucaso), Norte da África e Oriente Médio. Foi durante os séculos XVI e XVII um dos mais poderosos impérios do mundo. Os otomanos eram relativamente tolerantes com as religiões (entenda-se cristianismo ortodoxo e judaísmo, principalmente) e as tradições dos povos dominados. Entre esses povos podemos citar os sérvios, croatas, macedônios, eslovenos, gregos, magiares, bósnios, búlgaros, armênios, ucranianos, curdos e árabes.

6) A única coisa em comum entre os TURCOS e os ÁRABES é a religião islâmica, pois cada um destes povos tem raízes distintas. Aliás, turcos e árabes não gostam de serem confundidos. Todos os habitantes do antigo Império Otomano eram considerados turcos. Por isso, os imigrantes sírios e libaneses (árabes, portanto) que vieram para o Brasil eram chamados de turcos.

7) A religião predominante na Turquia é o ISLAMISMO (99,8%). Isto não siginifica que as demais crenças não sejam respeitadas e toleradas no país, pelo contrário. A mesquita, o templo dos mulçumanos, é destinada exclusivamente às orações e pregações, as quais ocorrem cinco vezes por dia ao tocar dos muezzins. A primeira delas ocorre na alvorada, depois ao meio-dia, à tarde, ao pôr-do-sol e, por fim, uma hora e quinze minutos depois da penúltima reza. Toda mesquita possui pelo menos uma torre (minarete) para que o arauto (muezzin) possa convocar os fiéis para as preces do dia. Apesar de ser um local democrático, durante a visitação  deve ser respeitado os horários da reza, aguardando o seu término para circular no interior das mesquitas. A sexta-feira deve ser evitada, já que é o dia santo para os mulçumanos. Para entrar nas mesquitas é preciso tirar os sapatos e o ideal é que as mulheres estejam vestidas de forma mais recatada, evitando decotes, saias e shorts muito curtos, além de cobrir a cabeça com um lenço (leve sempre um dentro da bolsa, afinal, nunca se sabe!). Além disso, o local das orações dos homens é separado das mulheres. Elas ficam atrás, pois a posição da reza (ajoelhados e com as cabeças ao chão) é sensual e pode tirar a atenção dos homens durante a prática religiosa.

8) Ao contrário do que muitos pensam, a capital atual da Turquia não é Istambul e, sim, ANCARA.

9) Muitos historiadores e religiosos acreditam que a famosa Arca de Noé aportou no Monte Ararat, no Leste da Turquia.

10) As sete igrejas do Apocalipse, mencionadas na Bíblia, estão localizadas na Turquia: Éfeso, Izmirna, Pergamundo, Tiatira, Sardis, Filadelfia e Laodicea.

11) Os rios Tigre e Eufrates, mencionados na Bíblia, estão localizadas no oeste da Turquia e, atualmente, tem o nome de Dicle e Firat.

12) Um dos maiores pregadores do cristianismo, o apóstolo Paulo, nasceu no Sul da Turquia, mais precisamente na cidade de Tarso. Por isso, ele era chamado de Paulo de Tarso. Detalhe: seu nome original é Saulo, portanto, Saulo de Tarso.

13) Outro santo nascido em território turco foi São Nicolau, o padroeiro da Rússia, Noruega e Grécia. Chamado de Nicolau de Mirra, foi ele quem deu origem ao atual mito de Papai Noel.

11) Acredita-se também que última casa de Maria, mãe de Jesus, ficava em Selçuk – Éfeso, na Turquia

12 )São Jorge, o mítico santo guerreiro venerado por milhões de brasileiros nasceu no século III na região turca da Capadócia.
13)Duas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo se encontram na Turquia: o Templo de Artemis, em Éfeso, e o Mausoléu de Halicarnasus, em Bodrum.
14) A mais antiga pintura da história mostrando um vulcão em erupção se localiza em Catalhoyuk, na Turquia e tem 8000 anos.
15) O povo gálata habitava a região chamada pelos romanos de Galácia, localizada no centro da atual Turquia. Os gálatas eram descendentes de tribos gaulesas oriundas do oeste europeu. Hoje em dia, eles são mais lembrados pelas epístolas do apóstolo Paulo aos gálatas.
16) A famosa cidade de Tróia, que já serviu de enredo para filmes e livros, também fica na Turquia. Além do sítio arqueológico de Tróia, há no lugar uma estátua que remete ao velho mito do Cavalo de Tróia.
Informações gerais:
Localização: sudeste da Europa e oeste da Ásia.
Cidade Principais: Istambul , Ancara, Esmirna, Adana e Bursa.
Área: 783.562 km²
Capital: Ancara
População: 72 561 312  de habitantes (Censo 2009)
Moeda: Lira Turca 
Língua Oficial: turco 
Nome Oficial
:  República da Turquia
Governo: República Parlamentarista
Expectativa de vida: 71,8 anos
Composição da População: turcos 80%, curdos 18%, árabes 1,5% e outros 0,5%.
Religião:  islamismo 99,8% (sunitas 80%, xiitas 19,8%) e cristianismo 0,2%.
Fuso Horário: +5h
Clima: mediterrâneo (litoral e região Sul) e temperado continental (Norte)
Website governamental: http://www.tbmm.gov.tr
 


 

 

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Próxima parada: Turquia | O berço da nossa civilização

Como alguns de vocês já sabem, dentro de um mês, o Esporte na Mochila desembarca na TURQUIA, um dos países mais ricos do planeta. E não pense que estou falando de PIB ou renda per capita, mas de CULTURA e HISTÓRIA. Quando comecei a estudar o meu novo destino, logo senti a necessidade de recorrer aos meus livros de história para aproveitar ainda mais a minha viagem. Sei que alguns não gostam tanto de história como eu, mas quando você começa a ler e conhecer um pouco mais da Turquia, é impossível ignorar este fato. Só para ter uma idéia do que estou falando, desde a pré-história até os dias de hoje, muitas culturas e civilizações surgiram, viveram e declinaram por ali, deixando um legado rico e diversificado, o qual terei o prazer de conhecer e explorar. A península de Anatólia ou Ásia Menor, maior parte do que hoje é a Turquia, é uma das regiões habitadas há mais tempo em todo o mundo e de onde as línguas indo-europeias se difundiram. Por ali passaram povoados da era paleolítica, hititas, lícios, celtas, frígios, lídios, cimérios, gregos, persas, macedônios, curdos, além do Império Bizantino, no final do século IV d.C., com o declínio do Império Romano, passando por cinco séculos de civilização Otomana até a instituição da República em 1923.

Durante os 18 dias de viagem, irei percorrer as principais cidades e regiões da Turquia, começando pela Capadócia e suas chaminés das fadas, e terminando em Istambul, a cidade dividida. Fundada há mais de 2.500 anos e sendo a maior cidade da Turquia, Istambul é cortada pelo estreito de Bósforo. É ele quem divide e une, ao mesmo tempo, os continentes Asiático e Europeu. Por possuir esta localização privilegiada, Istambul foi palco de muitas disputas. Mas os povos, raças e impérios que ali passaram nos deixaram como herança uma cidade única e intensamente cosmopolita, onde os contrastes deixados por estas civilizações convivem muito bem com as construções dos dias atuais. Ali a união é muito mais do que dois continentes. É uma fascinante miscigenação de culturas e credos!

Sinto que minha minha visita a  Turquia será uma verdadeira viagem no tempo, onde vivenciarei os dramas e as glórias dos povos aqui ali viveram. E, claro, contarei todos os detalhes aqui no blog quando voltar!

Yakında görüşürüz !!! (Até breve, em turco.)

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