Nem um, nem outro ou nenhum dos dois

Deserto do Atacama e Salar do Uyuni – Dia 3

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Hoje começa o meu terceiro dia de viagem aqui no Atacama e só agora vou praticar alguma atividade física, propriamente dita.  Já estou bem mais acostumada com a altitude (2400m) e também com o ar seco. Na primeira noite, acordei umas 4 vezes e nesta apenas uma vez. Umidificar o nariz com soro fisiológico foi uma coisa que eu não tinha o hábito de fazer aqui em São Paulo, mesmo nos dias mais secos e poluídos. Mas aqui no Atacama já está começando a virar um hábito necessário. Hidratação é o grande segredo aqui no deserto, pois ajuda não só com a secura, mas também com a aclimatação na altitude. E tem que ser gradual, um pequeno gole a cada 20 minutos. Caso contrário, terá vontade de urinar toda hora e aqui no deserto a oferta de banheiros é, no mínimo, escassa. Sem falar no quanto de dinheiro que é gasto com banheiro por aqui, principalmente pelas mulheres. O jeito é apelar muitas vezes  pelo banheiro “natural”, normalmente atrás de uma pedra ou do carro. Tenho poucos dias aqui no Atacama, mas já pude notar que aqui aprendemos a valorizar coisas que para nós parece ser algo simples e comum. E banheiro com certeza é uma delas!

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A manhã começou com um incrível e exaustivo passeio de bike. Foram 4 horas pedalando pelo deserto salgado. O chão estava esbranquiçado devido a neve que caiu há um mês por aqui e a umidade faz com que o sal presente nos sedimentos deste solo venham à superfície. Mas a paisagem que vimos durante o passeio não era comum para esta época do ano e a neve que caiu menos ainda. Como vemos neve nos picos, achei que era comum nevar no Atacama. Mas o guia  nos disse que a neve é ainda mais rara que a chuva aqui no deserto. Neve no Atacama é a mesma coisa que nevar na Bahia, segundo ele. Só sinto de não ter tido a oportunidade de ver este fenômeno inusitado de perto. A sensação de pedalar em um lugar inóspito e praticamente desabitado é, ao mesmo tempo, única, exaustiva e muito recompensadora. É como se o deserto tivesse sido especialmente reservado para nós. Durante todo o passeio fomos acompanhados de um guia que conhece muito bem a região, além de uma van e um motorista que nos oferece todo o suporte necessário. As mountain bikes também já estão inclusas. Nossa única preocupação era pedalar e admirar o cenário a nossa volta.

Cenário da pedalada

Cenário da pedalada

O nosso guia que também é dono de uma agência local, nos levou a este lugar exclusivo que ele mesmo apelidou de “Vale de la Luna Escondido”.  Pelo caminho pudemos visitar uma mina de sal abandonada, avistar campos minados e visitar cenários que mais pareciam filmes de faroeste e que inclusive foram palco de um ensaio fotográfico para a campanha de uma grife argentina, a Beagle. Mas existem muitos outros lugares menos exclusivos que podem ser explorados de bike. Aliás é um dos meios mais econômicos de se conhecer os arredores de San Pedro de Atacama. O aluguel de uma bike vai custar, em média, R$25 por pessoa por 4 horas. Uma opção é conhecer a Quebrada del Diablo, um labirinto no meio da Cordilheira de Sal, ou se preferir um passeio mais cultural, Pukara de Quitor ou a Aldea de Tulor. Pukara de Quitor era uma fortaleza que serviu de local para a batalha que determinou a conquista espanhol sobre os índios atacamenhos. Possui uma subida cansativa, mas a vista lá de cima compensa seu esforço. Já a Aldea de Tulor abriga casas circulares que estão juntas entre sei e hoje se encontram a 1m abaixo do nível do solo. É preciso pagar uma entrada de R$15 por pessoa para visitar cada atração. E, claro, como em todo passeio no deserto, não se esqueça de ir sempre acompanhado e levar seu “kit sobrevivência” (filtro solar, boné, óculos de sol e água) e sua máquina fotográfica ou celular para registrar tudo.

Laguna Cejar

Laguna Cejar

DSCN2723Depois de um belo banho e um almoço caprichado no hotel, partimos na parte da tarde para um outro passeio incrível. É difícil achar um programa chato em um lugar onde até um citytour a pé se torna interessante, pelo menos para mim. Nossa primeira parada foi na Laguna Cejar, após quase meia hora por um caminho arenoso e de muitos sacolejos na van . Essa lagoa está localizada na parte norte do Salar do Atacama e, apesar de sua cor esmeralda, atrai os turistas por outro motivo. Suas águas contém uma enorme quantidade de sal (7 vezes maior que o Mar Morto) e, por isso, é impossível afundar. Chegamos ali e havia muita gente dentro e fora dela. Já sabia da “fama” desta lagoa antes de chegar aqui e não havia cogitado ainda a hipótese de não entrar. Mas minha expectativa foi quase a zero quando coloquei as mãos na água. Quem me conhece sabe que, ao contrário da maioria das mulheres, não sou friorenta. Mas ventava bastante neste dia e pensar que teria que entrar naquela água congelante e sair, sem ter onde me abrigar depois, definitivamente não estava em meus planos. Quem já leu meus posts anteriores, não só do Atacama, sabe que tenho um frase que levo na minha mala sempre que viajo: é melhor ir e fazer do que se arrepender depois de não ter ido ou feito. E claro que não precisou de  mais de 2 minutos refletindo para já estar tirando minha roupa (estava com maiô por baixo) e entrar naquela lagoa. Afinal, não sei quando terei e se terei uma oportunidade desta outra vez. A primeira sensação é de choque térmico, a água estava realmente muuuuito fria. Mas quando começa a brincar de boiar, você se esquece e se acostuma facilmente. É preciso tomar muito cuidado com o lugar que você entra e pisa, pois a quantidade de sal é tão grande que se formam muitos cristais e suas pontas são muito afiadas. Por isso, antes de entrar pergunte para o seu guia ou a alguém que conheça a região para lhe indicar um local seguro. Após alguns minutos de diversão, me iludi e pensei que o pior havia passado, mas mal sabia que ele ainda estava por vir. A sensação ao sair da lagoa era de que havia um milhão de agulhas picando meu corpo. Na hora me veio à mente uma reportagem que li há alguns anos atrás na Super Interessante sobre como o sal no gelo acelera o resfriamento da cerveja. Em contato direto com o gelo, o sal puxa calor das pedras de gelo, que ficam ainda mais frias. Mas o grande problema é que a cerveja, no caso, era eu! E além do frio a grande quantidade de sal que fica em seu corpo te deixa com uma coceira irritante. Mas apesar do desconforto é uma experiênciasensacional, como quase tudo aqui neste lugar.

Ojos de Tebinquiche

Ojos de Tebinquiche

Continuando pelo caminho sentido centro do Salar do Atacama, chegamos ao Ojos de Tebinquiche, pequenos poços fundos de água doce onde pudemos ter a chance de tomar mais um banho ou apenas apreciar o Salar do Atacama. Já estava seca novamente e preferi ficar apenas na contemplação. Mas o fato de estarmos no meio de um dos maiores salares do mundo me deixou intrigada de como a água daqueles poços poderia ser doce. Javier, nosso guia que manja tudo de tudo, me veio com a seguinte frase: “La naturaleza és sabia” (a natureza é sábia). Mas diante da minha cara de “eu-não-me-contentei-com-a-resposta-e-sei-que-você-sabe-um-pouco-mais”, Javier me explicou que o norte do Salar é uma região lacustre e composta por oásis banhados pelo Rio San Pedro. Mas a água que alimenta as lagoas e os “ojos”, principalmente, vem da pouca chuva que cai sobre o deserto, do degelo e de rios subterrâneos vindos dos Andes. E uma das únicas explicações para a excepcional água doce dos “ojos”, além da sabedoria da natureza, é a provável presença de filtros naturais no caminho dessas águas, como carvão, areia, etc. E um truque para saber onde encontrar água doce no Salar é seguir os burros selvagens, pois eles só bebem água doce.

Laguna Tebinquiche

Laguna Tebinquiche

Nosso happy hour no deserto!

Nosso happy hour no deserto!

Dali seguimos finalmente rumo Laguna Tebinquiche, uma lâmina de água repleta de ilhas de sal e flamingos. Caminhamos pela borda da lagoa e aos poucos o sol começa a se por detrás das montanhas no lado oposto à Cordilheira dos Andes. Enquanto admirávamos toda aquela vista e nos sentíamos as pessoas mais privilegiadas do planeta, fomos convidados a nos servir de petiscos, frutas secas, castanhas e uma taça de vinho oferecida pelo nosso guia. Desfrutamos de momentos deliciosos enquanto víamos os últimos raios de sol pintarem a Cordilheira dos Andes e seus vulcões de tons azuis e violetas. Era impossível imaginar que aquele momento poderia ficar mais perfeito até ver uma bola branca sair por detrás da Cordilheira. Era a lua cheia que vinha nos dar boas-vindas e enquanto que, do outro lado, o sol se despedia. Um espetáculo surpreendente, tão lindo e tão intenso quanto o pôr-do-sol no Vale da Lua! Pelo que tenho visto até agora, acho que terei que ler mais o dicionário de fazer os próximos posts. Esse lugar acabou com todo o meu repertório de adjetivos! E, Javier, você tinha razão. A natureza é  sábia e perfeita, assim como o seu Criador!

E de repente nasce a lua...

E de repente nasce a lua…

... e do outro lado o sol se põe...

… e do outro lado o sol se põe…

... pintando as paisagens em tons de vermelho...

… pintando as paisagens em tons de vermelho…

...tons de lilás...

…tons de lilás…

... e também de azul!

… e também de azul!

E para finalizar: um incrível reflexo da lua cheia na lagoa!

E para finalizar: um incrível reflexo da lua cheia na lagoa!

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Deserto do Atacama e Salar do Uyuni-Dia 2|Parte 2

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Após saber um pouco mais da história e cultura da região, por volta das 4:30PM partimos para a segunda parte do dia rumo a um dos passeios mais conhecidos aqui do Atacama: Vale da Lua e da Morte. Quando comecei a descobrir e pesquisar sobre o Atacama, pensava que os dois vales se tratavam de um coisa só e que os passeios por aqui fossem atrações únicas ou desertos clássicos, como aqueles que estão em nosso imaginário desde a época dos desenhos animados. Muita areia, oásis, miragens e alguns camelos. Isto também existe aqui no Atacama, mas com muitos outros ingredientes. Para começar, não existem camelos por aqui, mas animais da mesma família (camelídeos),como lhamas, alpacas e vicuñas. Boa parte região integra a Reserva Nacional dos Flamencos, administrada pela Conaf e compreende cerca de 74 mil hectares.

O VALE DA LUA ou “Valle de La Luna” está localizado a poucos km do centro de San Pedro de Atacama e pode, facilmente, ser alcançada pedalando ou cavalgando. O Vale se encontra em plena Cordilheira de Sal, da qual já tratei no post do Dia 1 e que está paralela a Cordilheira dos Andes, a Cordilheira de Domeyko e ao Salar de Atacama. A Cordilheira e suas várias camadas de sedimentos foram sendo moldados através do tempo pela erosão do vento, da chuva e de outros agentes atmosféricos, fazendo surgir impessionantes  formas, cores e brilhos minerais, compostos basicamente de sal, gesso, clorato, borato e argila. O resultado é uma incrível paisagem inóspita, de diferentes tons de vermelho e espetaculares  esculturas naturais.

Vale da Lua visto do Mirante de Cari

Vale da Lua visto do Mirante de Cari

A nossa primeira parada é no MIRANTE DE CARI, de onde pudemos ter uma linda vista do Vale e podemos nos situar geograficamente. Dali avistamos os Andes e o Salar do Atacama. A ausência de vida animal e vegetal, a falta de umidade, além da grande extensão de areia salpicadas pelo branco do sal que sobe a superfície, nos dá a sensação de estarmos em algum cenário de filme de ficção científica, em outro planeta e até mesmo na lua. Ali compreendemos a razão do nome deste lugar que dizem que foi dado por Gustavo Le Paige, o protagonista do post anterior. Este é o lugar preferido da NASA quando quer testar seus protótipos já que, de acordo com os seus cientistas , é o lugar da Terra mais parecido geologicamente com Marte. Depois da contemplação vem a diversão dos fotógrafos e turistas, já que com muita habilidade e criatividade é possível tirar fotos incríveis e dignas de um porta-retrato ou  “foto de capa” do Facebook. O cenário mais procurado e concorrido é a PEDRA DO COYOTE e pela foto abaixo nem preciso explicar a razão da disputa:

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Dali partimos para o VALE DA MORTE, bem próximo do Mirante de Cari. O vale possui 2 km de extensão e do Mirante é possível ver uma paisagem avermelhada e semelhante ao Vale da Lua, mas com algumas dunas e a Cordilheira dos Andes ao fundo. A cadeia de vulcões e seus picos nevados se fundem com o belo céu atacamenho e nos mostra um horizonte incrível e de tirar o fôlego. Normalmente, os tours fazem apenas uma pequena e rápida parada por aqui e não o cruzam por completo. Mas para quem quiser explorar mais esse Vale, existe a possibilidade de fazer um passeio específico para cá ou ir até o local em cavalos. No entanto, a grande “pegada” do lugar é a prática de SANDBOARD. É possível encontrar passeios (inclusive noturnos) que incluem transporte, prancha e instrutor e é uma ótima combinação de adrenalina e aventura com um visual incrível e bem diferente de tudo que você já viu e vivenciou!

Vale da Morte

Vale da Morte

Existem algumas teorias para o nome do lugar. A primeira porque o local é muito seco e não há vida. Outra, por uma confusão de nomes. Quando Le Paige viu este lugar pela primeira vez, o chamou de “Vale de Marte”, devido à cor avermelhada do solo, como o planeta vermelho. Ao pronunciar “Marte” em francês, confundiram com “morte” e o nome pegou. E uma última que dizia que quando as pessoas estavam muito doentes, os indígenas levavam a pessoa até este Vale e deixavam que a “Pacha Mama” decidisse seu destino. E por muitas pessoas terem morrido neste local, o nome ficou como Vale da Morte. Eu, sinceramente, não sei em qual acreditar, já que todas me parecem bem plausíveis.

Do Vale da Morte seguimos diretamente para a entrada da Reserva. No trajeto passamos pelas TRÊS MARIAS, um rochedo de três pontas que lembram três mulheres e o ANFITEATRO, que visto de cima, lembra uma imensa arena. Bem próximo de onde se paga a entrada do parque de 2.500 pesos chilenos por pessoa (cerca de R$15), existe uma caverna e algumas fendas para atravessar (com o auxilio de lanternas) e depois uma pequena escalada em um morro para ter mais uma vez uma bela vista do local. Não há grandes dificuldades neste passeio, desde que você não tenha problemas de claustrofobia ou de coluna e joelho, já que algumas vezes é preciso agachar bastante e andar curvado. O interessante é verificar a presença de corais petrificados e de cristais de sal nas paredes, já que a cordilheira de sal é um lago emergido há mais de 23 milhões de anos. Saímos dali e seguimos para uma parede de pedra, onde pudemos ouvir bem sutilmente o barulho dos cristais de sal dilatando e se encolhendo conforme a temperatura. O barulho lembra muito, mas em menor proporção, o ranger do gelo nos glaciares.

Corais petrificados e cristais de sal em destaque

Corais petrificados e cristais de sal em destaque

E, por fim, seguimos para a DUNA MAYOR, onde pudemos ver o tão esperado pôr-do-sol.  A subida é um pouco cansativa, mas totalmente recompensadora. O entardecer deixa as cores avermelhadas desta parte do deserto ainda mais fortes e belas. A sensação é mágica, principalmente pela presença da lua cheia neste dia. Nunca vi uma paisagem tão distinta, tão natural e tão linda! Um verdadeiro espetáculo da natureza que, com  aquela aparência tão intocada e selvagem, te leva, mesmo que por alguns instantes, para um mundo paralelo, onde parece não existir mais ninguém. Apenas você e Deus! Naquele momento eu só pensava que eu precisa ter visto isso antes de morrer.  Senti uma das sensações mais magníficas da minha vida, uma mistura de emoção, prazer, paz e de sonho realizado. E são momentos como estes que me fazem refletir sobre a soberania de Deus. Além disso, me realizo como pessoa e reafirmo a certeza que me move: viajar nos faz mais ricos! A cada viagem que eu faço, eu conheço mais, atravesso barreiras internas, supero meus limites e expando meus horizontes. Enfim, viajar me transforma em uma pessoa melhor e não só para mim, mas para os outros também.

Sequência pôr-do-sol!

Sequência pôr-do-sol!

Sequência pôr-do-sol!

Sequência pôr-do-sol!

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Sequência pôr-do-sol!

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Sequência pôr-do-sol

Nesta noite jantei no hotel, pois apesar da realização,  chegamos tarde e o dia foi cheio! Precisava descansar para aguentar 4 horas de bike pela manhã e a tarde Laguna Cejar!

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El Calafate e Ushuaia – Dia 3

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Hoje foi meu ultimo dia em El Calafate e tinha apenas a parte da manha para passear, pois a tarde embarcaria para Ushuaia, meu proximo destino. Aproveitei para conhecer o centrinho, concentrado principalmente na Avenida del Libertador General San Martin. Como havia nevado durante a madrugada, a temperaura caiu e havia pedacos de gelo e neve pela calcada. Tive que caminhar bem devagar para nao escorregar. Ventava bastante e a sensacao termica era bem menor do que os 2 graus que marcavam no termometro. A cidade de El Calafate conta com uma populacao de 12000 habitantes atualmente, mas que na alta temporada (verao) pode chegar a quase dobrar de tamanho e receber cerca de 10000 visitantes. Ontem, a caminho de Perito Moreno, descobri que o nome da cidade nao eh so pelo fruto, mas pelo arbusto de mesmo nome. E foi batizado assim, pois as primeiras embarcaoes que chegaram ao local precisavam ser consertadas e, por ser um clima seco e semi-arido, nao existiam arvores e muito menos madeira. E descobriram que a folha deste arbusto era otimo para calafetar os barcos. Por isso o nome de El Calafate.

Caminhando pela avenida principal, pude perceber que eh ali que tudo acontece. A maioria das lojas de artigos esportivos, de artesanato, souvenirs, chocolates, galerias, sorveterias, restaurantes e ate cassino estao localizadas nesta avenida. Existem alguns museus e o glaciarium para visitar, mas as principais atracoes estao fora da cidade. Um destaque para a Galeria de Arte – Arte Indio, que oferece artesanatos indigenas de muito bom gusto. A loja eh grande e vale a pena caminhar e ver as pecas, sao lindas.

Dali voltei a pe para o hotel, onde o transfer jame esperava. Chegando ao aeroporto, no momento do check-in a atendente ja informou que o voo estava dependendo ainda de confirmacao, pois em Ushuaia estava com as condicoes climaticas comprometidas. O voo atrasou um pouco mais de meia hora, mas conseguimos embarcar. Pouco antes de descermos o piloto informou que o tempo em Ushuaia estava muito ruim e o aeroporto estava fechado. Teriamos que aguardar a permissao por meia hora e, caso contrario, teriamos que retornar a El Calafate. Neste momento a ansiedade tomou conta e ja comecei a pensar como faria, se perderia meus passeios programados para amanha, onde dormiria, quando voltaria para Ushuaia, mas felizmente fui interrompida pela voz do piloto dizendo que o nosso pouso havia sido autorizado. Relaxei, mas a tranquilidade durou pouco. Nao era possivel enxergar nada pela janela do aviao, estava anoitecendo e nao dava para saber quando e como iriamos pousar. A tensao tomou conta de mim e dos outros passageiros. Estava com medo, mas ao mesmo tempo louca para chegar em Ushuaia. Quando nos aproximamos do solo era possivel ver que nevava muito, mas muito mesmo. Nesta hora o unico pensamento era  “Seja o que Deus quiser!”. E Ele quis que chegassemos com seguranca. Com um belo tranco, mas pousamos com sob muitos aplausos dos passageiros. A pista estava toda coberta de neve, mas a partir do momento que o aviao parou no finger, deixou de ser preocupacao e passou a ser motivo de euforia, principalmente dos brasileiros. Logo depois de pegar minha mala na esteira, passei no balcao de informacoes do aeroporto para carimbar meu passaporte com ” Ushuaia – a cidade mais austral do mundo”.

Se a chegada ao fim do mundo ja foi uma grande aventura, imagino o que me espera para os proximos dias. Amanha tem trem do fim do mundo e passeio de barco pelo Canal Beagle, mal posso esperar!

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Retrospectiva 2012 | **Feliz 2013**

Segue abaixo o resumo preparado pelo wordpress sobre o Esporte na Mochila durante o ano que passou.

Este foi apenas o primeiro ano do blog e a felicidade proporcionada por essas notícias me fazem mais animada e engajada a tornar o Esporte na Mochila mais completo e útil para vocês!

Queridos leitores e seguidores, muito obrigada, mesmo!

Que 2013 seja ainda melhor!

Esporte na Mochila

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 12.000 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 20 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Pensamento em Viagem ou Viagem em Pensamento?

 

Nestas minhas leituras e pesquisas fui acumulando algumas citações, pensamentos e poesias sobre viagem. Resolvi compilar tudo que li e gostei e que agora compartilho aqui com vocês. Aproveitem:

Viajar é fazer uma jornada para dentro de si mesmo.” (Dena Kaye)

Costumo responder, normalmente, a quem me pergunta a razão das minhas viagens: que sei muito bem daquilo que fujo, e não aquilo que procuro.” (Michel de Montaigne)

Viajar é a maneira mais agradável, menos prática e mais custosa de instruir-se.” (Paul Morand)”O viajante ainda é aquele que mais importa numa viagem.” (André Suarès)

“Quando viajo, o que mais me importa são as pessoas, porque só falando com elas se conhece o ambiente.” (Camilo José Cela)

“Eu viajo não para ir a lugar algum, mas para ir. Eu viajo pelo propósito de viajar. A grande sedução é se mover.” (Robert Louis Stevenson)

As viagens dão uma grande abertura à mente: saímos do círculo de preconceitos do próprio país e não nos sentimos dispostos a assumir aqueles dos estrangeiros.” (Barão de Montesquieu)”A viagem pode ser uma das formas mais satisfatórias de introspecção.” (Lawrence Durrell)

Viajar é descobrir que todo mundo está errado sobre os outros países.” (Aldous Huxley)

As viagens são na juventude uma parte de educação e, na velhice, uma parte de experiência.” (Francis Bacon)

Se você deseja viajar longe e rápido, viaje leve. Deixe pra trás todas suas invejas, ciúmes, incapacidade de perdoar, egoísmo, e medos.” (Glenn Clark)

Mas quando o assunto é viagem, para mim, Fernando Pessoa é gênio insuperável!

“Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.

Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.

“Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo”. Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o principio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens tem paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como ás outras. Para que viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e gênero das minhas sensações?

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.”

“Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente! 

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir! 

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.”


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Que seja contagioso!

O vídeo abaixo mostra o que tenho repetido algumas vezes aqui no blog: a cordialidade, a hospitalidade e o carinho do povo japonês. Na viagem de volta do Japão parei para pensar a razão de tanta admiração diante de atitudes tão simples e que deveriam ser tomadas por todos em qualquer lugar do mundo. Percebi também que, muitas vezes, não estava agindo de acordo e, ao invés de ignorar e me conformar com o atual padrão de educação e egoísmo vivido em nosso país, resolvi reconhecer e mudar tais comportamentos. É a simples idéia de que pequenas atitudes podem mudar o mundo e eu, sinceramente, acredito nela. Comecei por mim para que, quem sabe, alguém mire em meu exemplo e possa reconhecer e mudar também.  De uma coisa eu sei: essa mudança tem feito muito bem, não só para as pessoas que me cercam, mas também e principalmente a mim. Quer um conselho? Experimente e ajude a espalhar o vírus da gentileza!

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Faça a sua parte!

O vídeo abaixo mostra o trabalho de um projeto voluntário que tem por objetivo ajudar as vítimas do tsunami  de março de 2011 no Japão. Mas o mais interessante do video, além do gesto nobre destas crianças e deste projeto, são as palavras de uma senhora japonesa. Dentre muitas frases sábias, em um delas ela diz que mesmo as pessoas estando tão longe das vítimas e se sentindo tão pequenas, se juntarmos as nossas forças e trabalharmos juntos, podemos vencer e reconstruir o que foi devastado. Apesar de eu também ser pequena, desde que voltei do Japão, onde tive uma aula de respeito, cidadania e amor, tenho buscado fazer a minha parte com quem está ao meu redor, com o intuito sincero de tornar o nosso mundo/país menos egoísta. Tenho a plena certeza de que agir é bem melhor do que só reclamar. Pense a respeito!

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Compartilhar é preciso

Antes da Web 2.0, manter uma informação à sete chaves era uma prática comum. Hoje, parece que todo mundo tem sede por compartilhar. Concorrência é coisa do passado, o negócio agora é colaborar.

“Atualmente, as pessoas não são mais respeitadas pelo carro ou cartão de crédito que têm, mas pelas ideias que colocam”

Gil Giardelli

Compartilhar conhecimento não é algo simplesmente altruísta, é um modo de fazer com que o conhecimento se espalhe e assim, você cresce junto com a colaboração de muitas pessoas. Saber compartilhar é saber evoluir. O grande desafio é ser cada vez mais inovador num mundo onde todos têm necessidade de compartilhar.

Um dos melhores exemplos de colaboracionismo e da inteligência coletiva são as plataformas wikis que contam com a participação de qualquer um que tenha interesse em construir o conhecimento. Outras plataformas da Web 2.0 são as famosas mídias e redes sociais, sobretudo os blogs, que têm sido bastante explorados pelo potencial informativo que elas vêm demonstrando.

Um dos principais recursos típicos do colaboracionismo é a utilização das licenças Creative Commons. Elas fazem com que a distribuição e a reutilização do conteúdo sejam efetivadas de forma legítima sem implicações legais de copyright ou de outras formas de manutenção de direitos sobre o conhecimento.

“Quando lhe perguntarem se você teme repassar conhecimento, não hesite em dizer que o conhecimento precisa ser compartilhado, pois você pensa no outro como se fosse você mesmo.”

Sílvia Somenzi

viaCompartilhar é preciso.

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