Arquivo do mês: julho 2013

Ushuaia – Cerro Castor – Dia 5

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Havia programado tantas coisas bacanas para Ushuaia que fica dificil dizer que este era o dia mais esperado. Mas estava muito curiosa para saber como seria meu desempenho em esportes de neve, pois nunca havia praticado antes. Sempre tive vontade experimentar e, antes de ir, pesquisei um pouco sobre qual a seria o melhor esporte para o meu debut: esqui (ski) ou snowboard. Na maioria dos relatos e opinioes, deveria escolher o esqui ( ski ), por ser considerado um pouco mais facil do que o snowboard. Ao contrario do snow, no esqui voce cai menos e as (muitas) quedas sao, normalmente, para os lados e menos lesivas, pois a bota se solta das pranchas exatamente para evitar torcoes. No caso do snowboard, por ser uma prancha unica e os dois pes ficarem presas nela, as quedas sao mais fortes e mais violentas, pois voce cai para frente ou para tras e a chance de se machucar eh bem maior. Outro detalhe que pesou na minha escolha foi que sempre fui melhor nos patins do que o skate ou surf . Na maioria dos casos que vi aqui em Ushuaia, a grande diferenca de um para o outro era de que, normalmente, os iniciantes, criancas ou adultos, comecam praticando esqui. Mas quem gosta de algo mais “free style” ou radical migra para o snowboard. Cheguei ate a ouvir que o esqui eh mais elitista e o snow mais “maloqueiro”. Isto porque no esqui voce nao precisa tocar a neve com frequencia e se apoia nos bastoes, enquanto que no snow nao tem frescura, voce tem que sentar na neve quase toda hora e tem mais dificuldade para se deslocar no plano mas, em contrapartida, da mais liberdade de manobras ao praticante. E independentemente da sua opcao, acredite, ambos sao extremamente prazerosos e viciantes.

Cerro Castor eh o resort de esqui mais ao sul do planeta e por esta razao e outros fatores como qualidade da neve, orientacao da montanha, entorno geografico e clima, permite uma temporada mais extensa e torna este centro de esqui um lugar especial. Alem disso, muitas de suas pistas estao homologadas pela Federecao Internacional de Esqui e foi eleito por varias equipes de competicoes europeias como local de treinos. A estacao conta com 600 hectares esquiaveis, 25 pistas com diferentes niveis de dificuldade, varios restaurants, 10 meios de elevacao (dentre telefericos “cadeirinha”, de superficie e “magic carpet”) de ultima geracao, uma area para principiantes e seu “snowpark” eh considerado um dos mais modernos da Argentina. Cerro Castor sera sede do Interski 2015, o Congresso Internacional de Esqui. Sera a primeira vez na historia que um Interski sera realiazado no hemisferio sul! Pelo video abaixo da para sentir um pouco do clima deste lugar que, apesar do frio, transpira esporte!!!

Um dos pontos negativos sao os 26 km de distancia do centro de Ushuaia. Alem disso, achei bastante burocratico e demorado todo o “processo” para quem for passer apenas o dia em Cerro Castor, que foi o meu caso. Cheguei na estacao por volta das 10 da manha, horario de abertura. Ja havia comprado aqui no Brasil e estava com vouchers para o transfer, entrada, meio de elevacao e aluguel da roupa neve e equipamento completo. Assim que cheguei, me dirigi a bilheteria, mas como ja estava com os vouchers, teria que ir diretamente para uma outra fila, dentro do predio. Ali peguei meu ticket e mapa da estacao de esqui. Como nunca havia praticado nenhum esporte de neve antes tinha interesse em aulas particulares. Me dirigi ao balcao de informacoes para saber como, onde e quanto custariam estas aulas. Ela me disse com uma cara bem desanimadora de que eles estavam quase sem horarios e que teria que perguntar na escola se ainda teria horarios disponiveis. Quando mencionei que gostaria de aulas particulares, o rosto da atendente mudou e me informou que ainda tinham alguns horarios a tarde, mas que deveria ir rapido, pois restavam poucos lugares. Dali, sai correndo ate a escolar que fica em uma outra parte do complexo, atravessando um ponte sobre um rio congelado. Alias, esqueci de mencionar que nevava bastante neste dia. Chegando a escolar, aguardei em uma fila por mais ou menos 30 minutos, ate ser atendida por uma moca simpatica que me disse que so haveria aulas as 14:00 horas sob um custo de 780 pesos. Apesar de achar um pouco caro, aceitei, afinal nao me valeria nada subir ate la, afinal era a minha chance de experimentar e aprender um pouco mais sobre um esporte que, infelizmente, nao posso praticar aqui no Brasil. Uma dica importante eh reservar as aulas com atecendencia para evitar este tipo de problema. Se soubesse que poderia reservar, eria reservado 2 aulas para o mesmo dia. De la, atravessei a ponte novamente e segui rumo ao predio principal, onde alugaria os equipamentos. No voucher estava escrito “equipamento completo”, mas isso significa apenas botas, esquis, bastoes e capacete, sendo o ultimo opcional. Importante saber que os oculos nao estao inclusos. Ja havia pergunto para o meu guia antes e comprei em uma das lojas da Avenida San Martin e nao sao tao caros. E possivel encontrar oculos (que mais parecem mascaras) por cerca de 150 pesos. Se for principiante e o tempo estiver ensolarado e sem vento, nao ha necessidade. No meu caso, nevava e ventava muito e nao me arrependo nem um instante de ter comprado. Caso queira comprar na hora tambem eh possivel, pois existem duas lojas POPPER que vendem todo tipo de equipamento para neve, snowboard e esqui. Pelo que me disseram a loja, que existe tambem no centro de Ushuaia, eh tambem do dono do Cerro Castor.

Aluguel de equipamentos

Aluguel de equipamentos

Para alugar o esquipamento mais uma hora de fila, alem de ouvir muito portugues. Fiquei impressionada com a quantidade de brasileiros por aqui! O processo funciona assim: voce preenche um papel com seus dados, passa primeiro pela botas, onde existem varios rapazes que te ajudam a encontrar uma bota do seu tamanho. Voce senta em um banco e ele coloca nos seus pes. A bota de esqui parece muito com botas de patins in-line, mas eh mais pesada e te projeta para frente, o que te faz andar esquisito quando esta sem as pranchas acopladas a elas. Depois das botas, voce pega seus esquis, depois os bastoes e, por ultimo, o capacete. Como estava com mochila, tive que alugar um locker (armario) por 30 pesos. Depois de tudo guardado, coloquei todo o equipamento, menos os esquis, e me dirigi ao teleferico para subir ate a area dos principiantes, onde teria as minhas aulas. Como nao tenho pratica fui aconselhada a nao subir com os esquis nos pes e entreguei ao funcionario que os colocou em uma cadeira a parte. A subida dura cerca de 5/10 minutos (na minha contagem mental) e a paisagem eh incrivel. Era um misto de alegria, ansiedade e medo do que poderia acontecer. Mas tinha que encarar, afinal, estava ali toda paramentada para isso. O maximo que poderia acontecer era um grande trauma e o desejo de nunca mais enfiar meus pes em uma bota com esquis. Mas mesmo depois de um tombo homerico ao sair do teleferico, nao me tirou a enorme satisfacao de esquiar na neve fofa. Alias, considero o hematoma enorme no meu quadril o carimbo de entrada para o mundo dos esportes de neve! Apos me recuperar da vergonha e da dor daquele tombo, fiquei anestesiada pela sensacao de estar ali, com todas aquelas pessoas com roupas coloridas, passando com seus esquis e snowboards pra la e pra ca. Mesmo sem poder ver o sorriso das pessoas, pois estavam cobertas dos pes a cabeca, apenas com os narizes a mostra, dava para ver e sentir que estavam se divertindo. Fiquei por um momento paralisada e sentindo aquela vibracao gostosa, da mesma forma de quando entro em um estadio de futebol. O gramado verde foi susbtituido por neve muito branca e, neste momento, senti falta de estar com alguem para dividir este momento. Olhei para o relogio e ja passava do meio-dia. Voltei a realidade e percebi que todo o processo havia demorado mais que duas horas e isto tirou um pouco do prazer experimentado havia poucos segundos.  Como minha aula comecava as duas horas resolvi almocar e enfrentei  mais um momento burocratico: tira esqui, guarda esqui, guarda bastao, entra no restaurante, tira luva, tira gorro, tira oculos, tira capacete, pega fila, pega bandeja, pega talher, pega comida, pega bebida, estou com calor, poe bandeja no balcao, tira casaco, tira cachecol, pega bandeja, pega fila, deixa bandeja no balcao, pega dinheiro, guarda dinheiro, pega bandeja, procura lugar, procura lugar, procura lugar, coloca bandeja na mesa, senta, almoca, levanta, coloca cachecol, coloca casaco, coloca luva, coloca gorro, coloca capacete, coloca oculos. Agora imaginem a minha preguica quando cheguei na porta do restaurante e, ao sentir o frio que estava la fora, me deu vontade de fazer xixi…

ski

Como ainda faltava quase 1 hora para a minha aula, resolvi experimentar  e descer algumas rampinhas na area para principiantes. Confesso que as criancas foram a minha principal inspiracao. Quando voce ve aqueles pequenos de 5 anos descendo as rampas, voce pensa: “eu tambem posso”. Vendo eles descendo e subindo parece tao simples, mas nao eh. So para se deslocar de uma parte a outra leva um tempao, mas minha vontade de descer era tanta que cheguei rapidinho nas esteiras que te levam ate o alto de uma pequena pista. Levei um tombo logo de cara, pois nao sabia que era preciso projetar seu corpo para frente, como se estivesse forcando a canela na lingua da bota. E aprendi com esta queda um dos primeiros e principais fundamentos do esqui. Fiquei espiando outros alunos e, apos aprender como frear, resolvi descer a primeira rampa e foi mais facil do imaginei. Se for principiante, como eu, recomendo muito as aulas particulares com instrutores. Elas sao importantes para aprender a esquiar sem vicios. Mais ou menos como aprender a dirigir. Entendi que o esqui exige muito dos pes, dos dedos, do tornozelo e pernas. Aprendi que a parte do corpo acima da cintura tem que ficar relaxada (o que foi muito dificil para mim) e que os bastoes devem permanecer sempre com as pontas para baixo para nao machucar ninguem. Mas o principal de tudo eh a consciencia corporal. No esqui se usa partes do corpo, principalmente dos pes, que nao estamos acostumados a usar. E quando voce passa a ter consciencia de que parte deve ser valorizada, tudo fica mais facil, Mas como todo o esporte, treinar eh o fundamental. Em 1 hora e meia de aula consegui descer minha primeira pista “oficial”. Mesmo que seja uma pista nivel iniciante,  nunca imaginei que conseguiria alcancar este resultado em apenas 1 aula. Isso deixou um gostinho de quero mais e, apesar de todas as quedas, roxos e afins, a minha primeira experiencia nos esportes de neve foi maravilhosa e inesquecivel!

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Ushuaia – Dia 5

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Hoje o dia foi longo, pois alem da Travessia de Lagos em 4×4, fiz um passeio noturno chamdo “Neve y Fuego”.  Sai do hotel por volta das 9 da manha e segui por veiculo 4×4 (Defender) para a regiao dos Lagos Escondido e Fagnano pela Ruta Nacional n. 3, aquela que disse no post de ontem que terminava em Lapataia. Agora estou viajando sentindo norte, rumo a Rio Grande, uma outra cidade da ilha. Acho que ainda nao cheguei a mencionar aqui, mas Ushuaia esta localizada em umas das ilhas do arquipelago da Terra do Fogo (Malvinas) e esta separada da America do Sul pelo estreito de Magalhaes.  Recebe este nome, pois foi o explorador Portugues Fernao de Magalahes o primeiro europeu a chegar a regiao por volta de 1520. E foi Magalhaes que apelidou essas ilhas como Terra do Fogo, pois avistou ao chegar diversas fogueiras das tribos silknam, kaweskar, manekenk e yamana que aqui habiatavam. O arquipelago consiste de uma grande ilha principal (onde esta Ushuaia) e outras menores. Por esta razao, Ushuaia so eh acessivel de carro via Chile, pois eh apenas no pais vizinho que existe um ferry, na parte mais estreita do Estreito de Magalhaes. Todos nos sabemos que a Cordilheira dos Andes eh o principal divisor natural entre Argentina e Chile, mas aqui na Terra do Fogo guarda uma peculariedade. Se observar em uma mapa bem detalhado, ira perceber que a Cordilheira faz uma curva aguda a direita, antes de tocar o mar. E este fato torna Ushuaia a unica cidade Argentina que esta a oeste da Cordilheira. E esta informacao eh importante para este post, pois para chegar ao Lago Encondido e Fagnano, ao Norte, temos que atravessar a Cordilheira pelo Paso Garibaldi e eh o unico lugar da Argentina onde ao passar a Cordilheira continuamos em solo argentino.

Vista do Lago Escondido do Mirante do Paso Garibaldi

Vista do Lago Escondido do Mirante do Paso Garibaldi

Ushuaia 014O Lago Escondido pode ser visto da propria Ruta n.3, onde paramos  em um mirante para uma foto, com um vento forte e gelado. O guia disse que estava com sorte, pois o nome “Escondido” vem do fato de ele quase sempre estar coberto por nevoa e serracao. Foi a primeira vez que senti que um vento era forte o suficiente para me carregar. Apesar da linda paisagem, tive que voltar ao carro, onde seguimos por mais alguns kilometros ate entrarmos a esquerda em uma antiga trilha de lenhadores. Pelo caminho paramos para avistar mais um dique feito por castores. Todo o trabalho que podem ver na foto abaixo, acredite, foi feito por apenas um casal de castores. Achei o maximo o pedaco de madeira roido por eles! Me lembrou desenhos animados, como do Pica-pau e Disney que, de vez em nunca, aparecia um castor que roia a madeira ate ficar deste jeito (quem lembra?).

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Lago Fagnano

Ushuaia 029Dali seguimos, finalmente, para o Lago Fagnano.  Quando cheguei, a garoa fina que nos acompanhou desde Ushuaia, se transformou em um lindo sol, o que deixou minha primeira vista do Lago ainda mais impactante.  Este lago ocupa cerca de 645 km quadrados e eh muito procurado para a realizacao de pesca esportiva, principalmente de truchas arco-iris. Ali tambem eh considerada uma zona sismica, pois no solo do Fagnano se encontram duas placas tectonicas:  a Sul-americana e a Scocia. Nao ha muitos casos de terremoto na regiao, pois as placas estao quase no mesmo nivel, o que evita os choques e tremores frequentes. Os ventos intensos fazem com que se formem pequenas ondas quando chegam na margem, tanto eh que para quem nao sabe pensa que esta diante de um mar e nao de um lago. Como estavamos em um carro 4×4 , fomos margeando o lago pelas pedras e pela agua e o guia parou para que descesse, pois como fazia um lindo sol, poderia caminhar um pouco e me encontrar em um ponto mais a frente. Ao chegar, uma deliciosa suspresa! O guia nos aguardava com um bule sobre uma fogueira, onde pude experimentar um delicioso e tradicional cha de “mate cozido”. Ali conversamos um pouco e ele nos disse que a temperatura do lago nao muda muito, se mantem como um microclima, normalmente, em 4 graus.Explicou tambem que  ali eh uma grande area de camping e que no verao  existem muitas opcoes de passeios, tais como pesca, caminhadas, aluguel de cavalos, passeios de caiaqui, bicicletas, etc.

Aventura de 4x4 pelo Lago Fagnano

Aventura de 4×4 pelo Lago Fagnano

Retornamos pelo mesmo caminho que viemos e paramos para almocar, cerca de 70km dali, no Centro Invernal Tierra Mayor.  Este eh apenas um dos 11 centros invernais de Ushuaia e foi o primeiro a desenvolver atividades invernais regiao. Ali eh possivel praticar esqui de alpino ou de fundo, passeios de trenos puxados por huskies siberianos ou pilotar motos de neve. E dali sai meu passeio que farei daqui dois dias, chamado “Aventura Blanca”. O almoco ja estava incluso no passeio e consistia em um buffet de salada para se servir a vontade. Simples, mas com varias opcoes de legumes e verduras. Para o prato principal duas opcoes apenas: truta em papel aluminio e recheado com vegetais e, cordeiro patagonico assado. Como ja havia experimentado a truta em El Calafate, resolvi escolher o cordeiro, que tambem eh um dos pratos tipicos da regiao. Vinhas em grandes pedacos em uma chapa e, apesar de nao gostar muito por achar o gosto um pouco forte, estava saboroso e macio. A sobremesa tambem estava inclusa e das muito opcoes escolhi o tambem tradicional flan, acompanhado de creme e doce de leite. Muito bom!

Praticantes de esqui alpino ou de fundo no Centro Invernal Tierra Mayor

Praticantes de esqui alpino ou de fundo no Centro Invernal Tierra Mayor

De Terra Mayor, segui para o hotel, onde pude descansar por 1 hora e meia antes de sair para o passeio “Neve y Fuego”. As 18:30 sai para o passeio, tambem na regiao do Vale Mayor, mas nao no centro invernal. Estava com muita expectativa, pois quando li no descritivo me imaginei em um treno puxados por huskies por uma trilha sinalizada com tochas ate um refugio onde apreciariamos um belo jantar tipico de montanha ao som de um animado violao e o retorno feito com motos de neve. Foi uma grande decepcao. Nao so pelas grande expectativa, mas porque ate agora nao entendi a razao do nome “fuego” ao passeio. Nao havia tochas e tampouco violao. Chegamos de van ate a cabana e fomos recebidos e convidados a deixar nossos itens em uma cadeira e sairmos para passeios de treno, motos e raquetes de neve. Como estava sozinha, me fizeram companhia duas simpaticas mexicanas, mae e filha da Cidade do Mexico. Primeiro fomos ao treno, mas demorou bastante tempo ate que soltassem os cachorros do canil e amarrassem nos trenos. O passeio foi lindo, mas um pouco incomodo porque nao havia muita neve no percurso e o treno batia muito no chao. Dali fizemos o passeio de motos de neve. Cada um com sua moto, mas nao consegui deselvolver a velocidade que queria, pois tinha que ir atras do guia e, alem de acelerar pouco, tinha que frear e parar com frequencia, para que os trenos de cachorros com o outro grupo passasse. Por fim, as raquetes de neve,  bacana, mas sem nehuma emocao. Senti um pouco de desorganizacao e amadorismo por parte dos guias e organizadores. Ah! E o jantar tipico da montanha…um foundue de queijo pouco animador. Bom, nao sei se foram as minhas proprias expectativas, mas nao recomendo este passeio. Prefiro um bom jantar em um dos deliciosos restaurantes de Ushuaia, afinal o passeio nao foi barato. Mas como eu sempre digo: prefiro experimentar e nunca mais voltar, do que ouvir falar e nao vivenciar!

E amanha eh dia de (tentar) esquiar no Cerro Castor!!!

Husky Siberiano - um dos cachorros utilizados nos passeios de trenos

Husky Siberiano – um dos cachorros utilizados nos passeios de trenos

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Ushuaia – Dia 4

Ushuaia 069

Nesta noite, por mais que tenha dormido 8 horas, acordei bastante cansada. Creio que seja pela tensao do voo ontem. Mas a vontade de conhecer Ushuaia era tanta que logo estava pronta para tomar café da manha e sair. O carro do receptivo passou para me buscar as 9 da manha e seguimos para a Estacao Macarena, cerca de 8 km do centro e local de embarque para o Trem do Fim do Mundo. Ja havia lido a respeito deste passeio e os comentarios se resumiam a ame ou odeie. Uns diziam que era imperdivel e outros que era bem monotono. Na duvida, prefiro ir e formar minha opiniao. E querem saber? Foi incrivel!!! Toda aquela neve que caiu na noite passada e que quase nos impediu de pousar em Ushuaia, se transformou em um dos cenarios nevados mais lindos do que eu poderia imaginar. E isso poderei comprovar pela sequencia de fotos a seguir:

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Ushuaia 051

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O trajeto feito com trens confortaveis e com calefacao, nos leva a conhecer lugares onde os antigos presidiarios realizavam seus trabalhos. Eu tambem nao sabia, mas Ushuaia era a principio, em 1884, uma colonia penal. O governo argentino tinha que povoar o seu lado do arquipelago no intuito de confirmar sua soberania. Os planos nao sairam como o desejado, mas os criminosos condenados permaneceram e foram transferidos para a prisao de Ushuaia que, de 1902 a 1947, abrigou criminosos de alta periculosidade, tal como a ilha de Alcatraz, nos EUA. Estes condenados eram transportados por este trem, sem as mordomias atuais, mas para trabalharem cortando arvores, construindo ferrovias e ajudando a erguer a cidade que conhecemos hoje. Atualmente, esta prisao virou um museu aberto a visitacao e que pretendo conhecer nos proximos dias.

Ushuaia 085

O percurso do trem dura, aproximadamente, uma hora e inclui uma parada na Cascata Macarena. O trem percorre um trecho do Parque Nacional Terra do Fogo, o unico do pais com saida para o mar e que ocupa uma superficie de 63.000 hectares. A neve e o clima deixaram o passeio ainda mais agradavel. Ao chegar ao ponto final do trem, continuamos o passeio em uma van com poucas pessoas pelo Parque. Muito bom poder conhecer um pouco mais de vegetacoes e animais tao diferentes do nosso pais. Pelo caminho cruzamos com varias raposas coloradas e pudemos conferir e conhecer um pouco mais do trabalho/destruicao dos castores na regiao. Foram trazidos do Canada cerca de 25 casais para habitar a regiao, mas nao puderam prever que iriam destruir grande parte do bosque com seus diques, pois nao havia e nao ha predadores para eles na regiao. A culpa nao sao dos castores, mas dos seres humanos que acabam causando um desequilibrio ecologico na por falta de estudo e planejamento.

Area dos esquilos

Area dos esquilos

Ushuaia 119Dali passamos por paisagens incriveis como a Laguna Verde e vegetacoes muito diferentes, como a turfa e lengua, presente por quase todo o bosque. A proxima parada eh na Bahia Lapataia, onde termina a Ruta Nacional 3, que precorre a Argentina de Norte a Sul e eh continuacao da Rodovia Panamericana em territorio argentine que tem inicio no Alaska. Eh o ponto mais austral da America do Sul e um indicador de que realmente cheguei ao fim do mundo! Deste ponto ate a Antartida sao “apenas” 800 km!!! Como podem ver na foto, existe uma placa que indica e resume tudo isso que acabei de dizer. Muito proximo de Lapataia, esta o antigo Lago Roca e que agora se chama Acigami. Eh um lago compartilhado entre Chile e Argentina, onde se pode acampar e que tem um visual de tirar o folego de tao lindo!!!! A foto fala por si so…

Lago Roca ou Akitami

Lago Roca ou Akitami

Ushuaia 246A segunda parte do passeio eh a navegacao pelas aguas do Canal Beagle. O canal recebeu este nome como homenagem ao barco HMS Bagle que chegou a esta regiao por volta de 1830 com intuito de realizar um estudo hidrografico. A segunda viagem do Beagle, sob o commando do capitao Fitz Roy, que trouxe em 1833 Charles Darwin, o qual pode avistar pela primeira vez um glaciar e com os animais da regiao. Peguei o catamara no porto da baia de Ushuaia, onde tambem esta a placa de “fim do mundo” (foto). Nesta epoca do ano o passeio eh mais curto e percorre a costa norte do  canal, passando pela ilha dos passaros, ilhas dos lobos e Faro Les Eclaireus, conhecido como o farol do fim do mundo. A partir de setembro ja eh possivel avistar alguns pinguins e no verao existem passeios mais longos que vao ate a Estancia Harberton e do porto tambem saem os cruzeiros para a Antartida. Leve bastante agasalho, pois mesmo que o barco seja coberto, todos saem para tirar fotos e observer os animais na parte externa e faz muito frio e venta bastante. A visibilidade hoje estava otima e deu para curtir bastante o passeio.

Ushuaia 210

Dali ja fui diretamente para a avenida principal, pois precisava urgentemente comprar uma bota para neve. Levei minha bota de trekking, mas por mais que seja waterproof, os pes nao chegam a molhar, mas a umidade por cima da bota congela os pes. Os guias e o recepcionista do hotel me indicaram a marca a Sorel. Nunca tinha ouvido falar, mas nao ha indicacao melhor do que a dos locais. Comecerei a reparar e quase todos os moradores de Ushuaia usam estas botas. E ela nao eh cara, sao otimas e custam  apenas 300 pesos. Eles me indicaram uma loja chamada Scandinavia e realmente recomendo. Alem de ser a unica da avenida a vender essas botas e roupas da Columbia, o cambio de dolar para peso eh melhor do que as proprias casas de cambio. Tambem indico a loja Campamento Base, onde comprei roupas femininas de marcas como Roxy e NorthLand. A maior delas eh a Popper, mas alem de ser mais cara, nao tem tanta diversidade de produtos e nao vende Columbia ou The North Face, a maioria eh Salomon. Os precos de Ushuaia sao melhores do que outras cidades, como El Calafate por exemplo, pois eh uma zona  franca, como Manaus, e os produtos estao isentos de taxas.

Amanha terei uma Aventura em 4×4 pela regiao dos lagos fueguinos e me despeco com esta linda foto do por-do-sol e da costa de Ushuaia vista do Canal Beagle…

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El Calafate e Ushuaia – Dia 3

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Hoje foi meu ultimo dia em El Calafate e tinha apenas a parte da manha para passear, pois a tarde embarcaria para Ushuaia, meu proximo destino. Aproveitei para conhecer o centrinho, concentrado principalmente na Avenida del Libertador General San Martin. Como havia nevado durante a madrugada, a temperaura caiu e havia pedacos de gelo e neve pela calcada. Tive que caminhar bem devagar para nao escorregar. Ventava bastante e a sensacao termica era bem menor do que os 2 graus que marcavam no termometro. A cidade de El Calafate conta com uma populacao de 12000 habitantes atualmente, mas que na alta temporada (verao) pode chegar a quase dobrar de tamanho e receber cerca de 10000 visitantes. Ontem, a caminho de Perito Moreno, descobri que o nome da cidade nao eh so pelo fruto, mas pelo arbusto de mesmo nome. E foi batizado assim, pois as primeiras embarcaoes que chegaram ao local precisavam ser consertadas e, por ser um clima seco e semi-arido, nao existiam arvores e muito menos madeira. E descobriram que a folha deste arbusto era otimo para calafetar os barcos. Por isso o nome de El Calafate.

Caminhando pela avenida principal, pude perceber que eh ali que tudo acontece. A maioria das lojas de artigos esportivos, de artesanato, souvenirs, chocolates, galerias, sorveterias, restaurantes e ate cassino estao localizadas nesta avenida. Existem alguns museus e o glaciarium para visitar, mas as principais atracoes estao fora da cidade. Um destaque para a Galeria de Arte – Arte Indio, que oferece artesanatos indigenas de muito bom gusto. A loja eh grande e vale a pena caminhar e ver as pecas, sao lindas.

Dali voltei a pe para o hotel, onde o transfer jame esperava. Chegando ao aeroporto, no momento do check-in a atendente ja informou que o voo estava dependendo ainda de confirmacao, pois em Ushuaia estava com as condicoes climaticas comprometidas. O voo atrasou um pouco mais de meia hora, mas conseguimos embarcar. Pouco antes de descermos o piloto informou que o tempo em Ushuaia estava muito ruim e o aeroporto estava fechado. Teriamos que aguardar a permissao por meia hora e, caso contrario, teriamos que retornar a El Calafate. Neste momento a ansiedade tomou conta e ja comecei a pensar como faria, se perderia meus passeios programados para amanha, onde dormiria, quando voltaria para Ushuaia, mas felizmente fui interrompida pela voz do piloto dizendo que o nosso pouso havia sido autorizado. Relaxei, mas a tranquilidade durou pouco. Nao era possivel enxergar nada pela janela do aviao, estava anoitecendo e nao dava para saber quando e como iriamos pousar. A tensao tomou conta de mim e dos outros passageiros. Estava com medo, mas ao mesmo tempo louca para chegar em Ushuaia. Quando nos aproximamos do solo era possivel ver que nevava muito, mas muito mesmo. Nesta hora o unico pensamento era  “Seja o que Deus quiser!”. E Ele quis que chegassemos com seguranca. Com um belo tranco, mas pousamos com sob muitos aplausos dos passageiros. A pista estava toda coberta de neve, mas a partir do momento que o aviao parou no finger, deixou de ser preocupacao e passou a ser motivo de euforia, principalmente dos brasileiros. Logo depois de pegar minha mala na esteira, passei no balcao de informacoes do aeroporto para carimbar meu passaporte com ” Ushuaia – a cidade mais austral do mundo”.

Se a chegada ao fim do mundo ja foi uma grande aventura, imagino o que me espera para os proximos dias. Amanha tem trem do fim do mundo e passeio de barco pelo Canal Beagle, mal posso esperar!

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El Calafate – Glaciar Perito Moreno – Dia 2

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Chegou o grande dia de conhecer o Glaciar Perito Moreno! Foi o maior motivo que me trouxe a El Calafate e, pelo que pude perceber, eh a principal atracao e o que impulsiona o turismo da regiao. El Calafate eh conhecida como a capital nacional dos glaciares, ja que grande parte dos glaciares do mundo esta localizada aqui, principalmente no Parque Nacional Los Glaciares. Este parque ocupa cerca de 724.000 hectares e em 1981 foi considerado pela UNESCO Patrimonio Mundial da Humanidade. Ali se pode encontrar 47 dos grandes Glaciares e inumeras geleiras menores. Ao norte do parque esta localizada El Chalten, a capital argentina do trekking e a porta de entrada para o incrivel monte Fitz Roy e o Cerro Torre. Conversando com guias, garcons e funcionarios do hotel pude verificar a importancia de El Chalten para o turismo esportivo e de aventura e ja anotei na minha “wish list”, pois quero voltar para fazer um trekking autoguiado de 3 horas e quem sabe chegar ate a base do Fitz Roy….enfim, este eh o tema de uma proxima viagem, por isso vamos voltar aos glaciares.

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Para quem nunca viu um glaciar, a melhor forma de ilustra-lo eh imaginar uma enorme “lingua de gelo” descendo entre as montanhas. O gelo dos glaciares sao formados por camadas de neve que, durante muitos e muitos anos, foram depositando camadas de neve uma em cima da outra e resultando em uma densa massa de neve compactada e recristalizada. E o passeio para Perito Moreno tem como objetivo avistar  a ponta desta “lingua”. Para dimensionar o que estou falando e a grandiosidade de Perito Moreno, a ponta desta “lingua” possui cerca de 5km de frente e 60 metros de altura sobre a agua. Sem falar que os glaciares sao a maior reserve de agua doce de todo o mundo.

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Assim como El Chalten, 0 Glaciar Perito Moreno tambem fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares, so que na parte sul. O trajeto de El Calafate para o Parque eh de 80km e dura aproximadamente 1 hora e meia. Saimos do hotel por volta de 9 e meia da manha, pois nesta epoca do ano o amanhecer ocorre por volta deste horario e no trajeto pudemos conferir belas paisagens, fauna e flora locais e tirar fotos incriveis como esta:

El Calafate 015

Como podem ver, proximo a El Calafate o tempo estava lindo, mas logo na entrada do Parque o tempo virou e comecou a chover. Dizem que o clima proximo a Cordilheira dos Andes eh assim mesmo, muito instavel. Mas ja comecava a pensar o quanto o clima comprometeria o meu passeio e, principalmente, as minhas fotos. Paramos em um mirante com o objetivo de ter a primeira vista do Glaciar, mas quase nao dava pra ver nada, pois chovia e ventava bastante. Meu passeio incluia a visita as passarelas, mas havia um opcional: um passeio de barco para avistar a face sul do Glaciar. Cheguei a pensar em nao ir, mas resolvi apostar na inconstancia do clima. Afinal, era minha unica esperanca naquele momento. O clima nao mudou nada e para piorar a chuva e o vento pioraram. Todos estavam na parte de baixo e coberta da embarcacao, mas assim que anunciaram que estavamos chegando proximos do Glaciar, coloquei meu anoraki e subi. Afinal, nao eh todos os dias que se ve um Glaciar tao de perto. Apesar da minha roupa estar apropriada para o momento, minhas luvas, minha mochila nao eram impermeaveis e ficaram encharcadas. Minha mae congelava e tentava (em vao) proteger minha maquina da chuva, mas era inevitavel as gotas cairem na lente. Mas ao avistar o Glaciar esqueci por alguns minutos destes detalhes perturbadores e tentava registrar com os olhos e com a maquina, a maior quantidade de momentos possivel.

El Calafate 052

Do barco, seguimos para as passarelas, localizadas na Peninsula Magallanes, de onde eh possivel observer o meio e a face norte do Glaciar. Através destas passarelas de madeira, é possível chegar com segurança bem proximo do Glaciar e de suas majestosas paredes com 50 tons de azul. Bem que eu queria ver o Glaciar emoldurado por um ceu Azul, lindo e sem nuvens, mas a guia me disse que eh o clima mais acinzentado que faz com que o Perito Moreno fique mais azulado e, segundo ela, um pouco mais bonito do que o branco, predominante em dias claros. De todas as formas e de todos os angulos, a sensacao de estar diante de uma beleza natural de tamanha magnitude, me fez ficar paralisada  e extasiada com tamanha exuberancia. Me desculpem os brasileiros, mas fiquei com uma pontinha de inveja dos argentinos por possuirem este patrimonio natural em seu territorio. E o Perito Moreno eh o unico glaciar do mundo onde o turista pode chegar tao perto e com pouco esforco. Digo isto, pois este eh o unico glaciar que possui uma parte de terra proxima. Alem disso, eh o unico Glaciar em movimento. Perito Moreno avanca a uma velocidade de 2 metros por dia e por isso podemos ouvir barulhos partindo do Glaciar, pois os imensos blocos de gelo se chocam, se racham e o atrito com as pedras do solo provocam barulhos semelhantes a rugidos. Dizem que o motivo desta movimentacao eh porque o Glaciar Perito Moreno funciona como a “valvula de escape” do Campo de Gelo Patagonico Sul. Outra grande vantagem de Perito Moreno eh que, comparado a outros glaciares que estão retrocedendo, ele continua em equilíbrio, recebendo e produzindo gelo na mesma proporção que o perde. Por isto, qualquer visitante poderá observar a quebra e queda de imensos blocos de gelo, que se desprendem de suas paredes. Um espetáculo único e a verdadeira demonstração de poder  de Deus e da natureza que criou.

El Calafate 143

Uma outra maneira de conhecer o Glaciar, é realizando um trekking. Trata-se de uma caminhada guiada, de aproximadamente 2 horas, por cima do gelo usando “grampones” por sobre o calçado. O passeio ocorre em uma zona estável  e segura, onde não há riscos de desabamentos. Pena que os passeios acontecem so na primavera e no verao. O lado bom eh que encontrei um otimo motivo para voltar!

E para os mais sortudos, recomendo assistir ao fenomeno do Rompimento do Glaciar. Explico: de tempos em tempos, quando a produção de gelo é maior do que a perda, o Glaciar avança até tocar a terra e represa a agua a sua frente. Com o passar dos dias, a massa de gelo cresce e com ela o nível da agua represada. Quando a pressão da água consegue furar a resistência do gelo, um pequeno túnel se forma. Com o atrito da agua, a gigantesca ponte de gelo acaba se rompendo com um enorme estrondo e atirando pedaços de gelo para todos os lados. O Rompimento eh um espetaculo esperado e registrado por muitos, mas que conta bastante com o fator sorte, pois a ultima vez que isto ocorreu foi em 2008 e sem prazo definido para que ocorra novamente.

Apos uma caminhada (com muitas paradas) de quase 1 hora e meia pelas passarelas, fui ao refeitorio comer um lance e voltei para o hotel por volta das 15:00. Estava exausta e acabei jantando no restaurant do hotel mesmo. Comida muito boa, mas caro tambem (200 pesos!) , como tudo nesta cidade! E dizem que estamos na baixa temporada…

Amanha vou conhecer um pouco do centro de El Calafate pela manha e a tarde voo rumo a Ushuaia, meu proximo destino!

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El Calafate – dia 1

El Calafate 041

Hoje o Esporte na Mochila desembarcou em El Calafate, cidade bem ao sul da America, na Patagonia Argentina. Para chegar ate aqui nao existe voo direto. No meu caso, fiz uma conexao em Buenos Aires com a companhia Aerolineas Argentinas e o voo de Buenos Aires a El Calafate dura aproximadamente 3 horas e meia. Sai na madrugada do dia 14 de julho de Sao Paulo, cheguei em Buenos Aires por volta das 5 da manha no aeroporto Ezeiza. Como meu voo para El Calafate saia do Aeroparque (outro aeroporto portenho e bem menor que o Ezeiza), tive que pegar um transfer. O grande problema do meu voo de ida foi o intervalo entre um voo e outro. Fiquei quase 6 horas no aeroporto, alternando um cochilo com um café e uma volta no freeshop. Se somar todos os minutos de sono que tive desde que sai de Sao Paulo, o total nao passa de 2 horas. Resultado: cheguei destruida em El Calafate. Porem, todo o cansaco foi recompensado com a paisagem logo na chegada. Planicies inospitas, lagos congelados, montanhas nevadas. A impressao e de que voce esta pousando no meio do nada. E isso me instiga ainda mais e ajudou a eliminarum pouco do cansaco. O aeroporto eh pequeno, mas bem arrumadinho e conta com uma boa estrutura, tais como “fingers”, calefacao e chao acarpetado. Me causou uma otima impressao da cidade. O aeroporto fica cerca de 23 km do centro de El Calafate.

El Calafate 006Dali segui para o meu hotel, o Mirador del Lago. Bem charmoso, mas um pouco afastado do borburinho (cerca de 4 quadras). Alem do hotel ser bem aconchegante, faz jus ao seu nome, pois fica a 1 quadra da avenida costanera, a qual contorna o Lago Argentino. Fiz o check-in, deixei minhas malas no quarto, apanhei minha maquina e fui conferir o visual e o por-do-sol no Lago, o que me rendeu fotos belissimas como esta:

El Calafate 010

Como o nivel do lago estava um pouco baixo, fui contemplada com aves, principalmente flamingos, buscando comida e dando um show de elegancia e beleza:

El Calafate 031

Apesar do frio de zero grau que fazia la fora, voltei feliz para o hotel, tomei um belo banho e sai para jantar. Tinha alguns nomes  de restaurants comigo, mas aceitei a sugestao do recepcionista do hotel e fui conhecer o Don Pichon. Hoje a noite estava menos 2 graus de temperatura, com sensacao termica de menos 8 graus, por isso o diferencial deste restaurante sao os tranfers in e out gratuitos, ou seja, ele te busca no hotel e te leva de volta totalmente de graca. O restaurante e rustico, com ares de interior, mas com uma comida bem saborosa e uma bela vista da cidade. Vi que o forte da casa era a parilla, como os argentinos chamam o nosso churrasco. Mas optei por outro prato tipico da Patagonia: a truta. O peixe veio acompanhado de pure de batatas e de abobora, alem de uma deliciosa taca de vinho branco. Por fim, pedi uma sobremesa tambem tipica, o sorvete de calafate. O fruto que deu nome a cidade tem um sabor de frutas silvestres e a cor parecida com o raspberry. Uma delicia, mas com um valor um pouco salgado: 200 pesos para 1 pessoa.

Apos quase 48 horas sem dormir, chegou o momento do merecido descanso, pois amanha eh o grande dia de conhecer o Glaciar Perito Moreno, um dos motivos mais fortes de eu querer passar por El Calafate antes de seguir para a Ushuaia.

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