Londres – Dia 4

Barbeiro em Brick Lane

Barbeiro a céu aberto em Brick Lane

Hoje o passeio ficou concentrado na parte Noroeste de Londres com o motivo de aproveitar os principais (e bizarros) mercados dominicais da cidade: Camden e Brick Lane. Havia lido que a melhor maneira de se chegar a Brick Lane seria descer na estação Shoreditch High Street, porém o concierge do hotel me orientou a descer na Liverpool Station (Central Line – vermelha) e caminhar um pouco mais, uma vez que a primeira estação fica mais difícil de se fazer baldiação. Estudar o mapa do metrô antes é uma boa dica para cidades grandes e com muitas linhas metrô, como Londres e Japão, por exemplo. Assim que desci na Liverpool Station, atravessei a Rua Bishopgate e dali tive acesso a dois mercados. Primeiro o de Petticoat Lane, antigo e não muito atraente, mas que conta com muitas pessoas buscando vesturário com preços mais em conta. Mais a oeste, está o Spitafields Market, um antigo mercado de frutas e verduras, e que hoje abriga um mercado moderno que oferece coisas muito bacanas a seus visitantes. O lugar é imenso e suas barraquinhas vendem desde roupas e acessórios alternativos e estilosos a cases de celular em madeira. Também tem antiguidades e artigos para casa e afins. Me senti passeando na praça Benedito Calixto ou pela lojinhas da Vila Madalena, em São Paulo. Vale a pena gastar seu tempo e dinheiro por ali.

Curry em Brick Lane Market

Curry em Brick Lane Market

DSCN0271Algumas ruas a frente está a Brick Lane Street, uma rua adotada pelos imigrantes de Bangladesh, Índia e Paquistão, que vieram para Londres em busca de trabalho e melhores condições. A conexão entre as culturas é tão forte que é possível ver placas de rua ou de trânsito em dois idiomas, o inglês e o bengali. Muitos deles abriram restaurantes na região, as chamadas Curry Houses e a maioria está localizada na própria Brick Lane. Mas o curry não se configura como o único atrativo da região. Os mercados de antiguidades e roupas atraíram estudantes de artes, que passaram a frequentar o local e ali sediar suas exposições. O local também chamou a atenção de grafiteiros, como Banksy, Dface e Ben Eine, que exibem seu trabalho ao ar livre. Essa confluência de artistas, imigrantes e estudantes produziu uma cena noturna bastante diversificada. E, por isso, algumas das melhores boates de Londres estão nas imediações de Brick Lane. Viemos domingo, pois apesar de muitas lojas abrirem suas portas durante a semana e aos sábados, este é o dia de maior agito, principalmente, das 9h às 17h. O Brick Lane Market está localizado no número 91 da Brick lane, em um prédio da antiga cervejaria Old Truman Brewery. Ali é possível encontrar além de muitas roupas e acessórios, comidas típicas de vários países da Ásia e Caribe e não pude deixar de optar pelo famoso Curry. Pedi um prato bem servido, com pedaços de frango em um molho apimentado “médio”, mas para o meu paladar estava em um nível ultrapower! Uma delícia, mas na primeira colherada já saíram lágrimas dos meus olhos. Cuidado, se não estiver acostumado, aprecie com moderação! Saindo do mercado, continuamos pela Brick Lane que é enorme e cheia de pessoas estilosas, exóticas, malucas e engraçadas (pelo menos para o meu “parâmetro”). Tinha até um barbeiro ao ar livre, onde fiquei com vontade de aparar a minha franja. Mas pelos cabelos que vi saindo de lá, achei melhor não correr o risco. O jeitão é bem parecido com Camden, mas o fato de ser um pouco mais “light” e com menos turistas, me agradou mais.

Camden Town

Camden Town

Camden Market

Camden Market

Dali, pegamos o metrô novamente, com destino a estação de Camden Town (Northern Line – preta), onde está localizado o bairro de mesmo e com três mercados de rua que funcionam, principalmente, aos domingos: Camden Lock, Stables Market e Camden Village Market. Já havia conhecido em uma outra oportunidade, há 5 anos atrás, e pude verificar que tudo continua do mesmo jeito. Ali estão reunidas as pessoas mais exóticas e bizarras do mundo. Mesmo para o povo londrino que já é acostumado com excentricidades, Camden Town é um bairro liberal, onde piercings e tatuagens são “fichinha” perto do que se vê circulando por ali. Ali foi o berço do movimento punk inglês, na década de 70. E onde há coisas diferentes, há turistas e, claro, muitos brasileiros! Do metrô siga a multidão pela avenida Camden High Street, onde existem várias lojas com vitrines que chamam a atenção, seja pelo letreiro em 3D ou pelos artigos oferecidos. Não tem como não se divertir e dar boas risadas enquanto caminha até o Mercado de Camden Lock, beirando o Regent’s Canal. Ali se vende de tudo: comida de várias partes do mundo, antiguidades, roupas, excentricidades e quinquilharias. Aproveite para comer por lá. Por este astral diverso e alternativo, o bairro atraiu alguns artistas e celebridades para viverem ali, como a cantora Amy Winehouse, o escritor Charles Dickens e vários de seus personagens, além do cantor Morrissey. Por falar em Amy, era ali nas redondezas que a cantora vivia e passou seus últimos dias de vida. Os pubs “The Hawley Arms” e “The World’s End”, que ela costumava frequentar com regularidade, além de sua casa em Camden Square, virou rota obrigatória para turistas e fãs da cantora.

Emirates Stadium

Emirates Stadium

DSCN0299Como muitos já sabem, além de viajar, minha outra grande paixão é o esporte. E na Inglaterra, assim como no Brasil, domingo não é domingo sem um bom jogo de futebol. Mesmo que a Premier League (Campeonato inglês) já tivesse um campeão antecipado, não poderia deixar de assistir um  belo clássico inglês: Manchester UnitedxArsenal no Emirates Stadium. Como a estação de metrô de Camden Town estava fechada, tivemos que pegar um ônibus para o Estádio. Vimos alguns torcedores do Arsenal em um ponto e os acompanhamos rumo ao Estádio que fica a aproximadamente 15 minutos de ônibus de Camden Town, pois também está na parte norte de Londres. Descemos em um ponto um pouco afastado e na caminhada para o Estádio já começamos a sentir o clima do jogo. Impressionante como essa vibração me faz bem, me dá uma sensação tão prazerosa quanto comer uma deliciosa sobremesa de chocolate. As pessoas caminhando para o Estádio, vestindo roupas e acessórios com o nome dos times me faz sentir uma sensação inexplicável que só quem ama o futebol sabe. E o auge é quanto entro no estádio e vejo o contraste da grama bem verde com a torcida na arquibancada, tudo emoldurado por uma bela estrutura. Fico emocionada com esta paixão que ultrapassa fronteiras. E aqui na Inglaterra, a rivalidade existe e é manifestada, mas de forma um pouco mais “respeitosa” que o Brasil. Apesar das ofensas e xingamentos como em qualquer outra partida, não há agressão física e o respeito aos policiais e às regras é absoluto. Como já disse, o Manchester United já era o campeão do Campeonato inglês, mas a grande pegada deste jogo era o jogador holandês Van Persie. Agora atuando no Manchester United, estava enfrentando pela primeira vez seu antigo time e agora rival, o Arsenal, onde foi ídolo por muitos anos. Para ilustrar melhor, era como se o Neymar tivesse trocado o Santos pelo Corinthians. Toda hora que pegava na bola era possível ouvir uma onda de vaias e o xingamento mais leve era “mercenário”. Além disso, me chamou atenção uma senhora com mais de 80 anos que estava atrás de mim. Torcedora fanática e que empurrou o Arsenal do começo ao fim. Ela gritava o tempo todo e o que mais gostei foi que em momento nenhum ela criticou ou xingou o time adversário, mas apenas o seu. Era muito engraçado quando um jogador do Arsenal errava o passe e ela dizia em tom irônico: “Good job, Mr. Perfect!” (Bom trabalho, Sr. perfeito!) e a cada 5 minutos ela soltava um “Come on Arsenal. come on!” (Vamos lá Arsenal, vamos lá!). O jogo terminou em 1×1, mas valeu cada centavo. Falando nisso, uma dica se quiser ver jogos na Inglaterra: compre antecipado, mas mesmo assim se prepare para os preços. A grande maioria dos ingleses costuma comprar todos os jogos da temporada de uma vez e sobram poucos ingressos avulsos na bilheteria. Apesar do estádio estar cheio (cerca de 50 mil torcedores),  a saída foi muito tranquila e sem tumultos. Fomos para uma passarela que liga até a estação de metrô Arsenal (Picadilly Line – azul) e em menos de 1 hora do fim da partida já estávamos dentro do hotel, cansados, mas muito felizes!

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