Turquia Dia 5 | Kusadasi/Éfeso/Selçuk/Kusadasi

Ontem viajamos de Pamukkale a Kusadasi, cerca de 3 horas de estrada, passando pelo vale do Rio Menderes, uma região de solo muito fértil. Chegamos em Kusadasi a noite e depois de fazer o check-in e tomar um belo banho, fomos jantar. As mesas do restaurante ficam em um andar superior e, mesmo escuro, já pudemos perceber que a vista dali era incrível e, enquanto jantava, imaginei um lindo entardecer e o sol se escondendo aos poucos atrás do Mar Egeu. Kusadasi é uma cidade bastante turística e serve como escala de muitos cruzeiros marítimos de luxo. O nome da cidade significa “Ilha do Pássaro” e do hotel era possível ver um forte genovês do século XIV que revela as origens comerciais da cidade, dada sua proximidade das Ilhas Gregas e da Itália. O nosso hotel, chamado Korumar, é praticamente um resort. Possui uma extensa área de lazer, incluindo piscinas cobertas, ao ar livre, deck na praia e nas pedras, com escadas que dão acesso ao Mar Egeu e de onde se pode nadar junto com pequenos peixes, além de jardins com espreguiçadeiras ou redes, todas elas com vistas de tirar o fôlego! Os pontos negativos foram a internet, com sinal péssimo ou inexistente durante toda nossa estadia e a comida que era servida em buffet, com uma qualidade que não condiz com o porte do hotel.

Rua Principal de Éfeso

Deusa Nike

Saímos bem cedo do nosso hotel para fazermos o nosso primeiro passeio do dia na cidade de Éfeso. Foi uma excelente idéia do nosso guia, pois além de ser mais fresco (enfrentamos calor de 32 graus e a visita é ao ar livre) fomos o primeiro grupo a chegar. Éfeso foi uma das maiores e mais importantes cidades da Antiguidade. Em sua época áurea, chegou a ter cerca de 250 mil habitantes, um número considerável para aquele tempo. Ali foi erguida, por volta de 1000 a.C., uma cidade grega, mas a cidade no formato das ruínas que visitamos hoje foi fundada no século 4 a.C., por Lisímaco, sucessor de Alexandre, o Grande. Mas foi apenas com o Império Romano que Éfeso se transformou no porto mais importante do Egeu. O mar, que antes chegava nas portas da cidade, devido a um assoreamento, acabou se afastando e hoje está a 6 km dali. A visita é longa, mas o destaque está para a Biblioteca de Celso, o Templo de Adriano e o Teatro, onde  muitos artistas modernos já se apresentaram, como por exemplo Elton John e o já falecido Luciano Pavarotti. Uma curiosidade é uma imagem de Nike, a deusa da vitória, na qual, com certeza, a grande e conhecida grife esportiva se inspirou para criar sua marca e logotipo. Se for mesmo verdade, o símbolo começa acima dos dedos da mão direita da deusa e vai contornando todo o seu braço.

Biblioteca de Celso

Éfeso também é uma cidade bastante famosa pelo seu grande papel na difusão do cristianismo. Mesmo que não sejam os primeiros cristãos a visitarem a cidade, foram os apóstolos Paulo e João que estabeleceram o cristianismo por ali. Acredita-se que João chegou a Éfeso e começou suas atividades missionárias antes que Paulo. E por esta razão que quando Paulo chegou ao oeste da Anatólia, já existiam muitas igrejas estabelecidas por lá. É possível que Paulo tenha escrito a maioria de suas epístolas em Éfeso. Algumas informações de sua estada em Éfeso estão detalhadas em suas epístolas, como quando teve que sair de Éfeso para ir visitar Corinto, com a finalidade de consolidar a igreja que ele mesmo fundou em sua segunda viagem. Mas o acontecimento mais importante que Paulo passou neste lugar foi, sem dúvida, a revolta dos comerciantes. Em uma das pregações de Paulo na cidade de Éfeso (dizem que estava falando para cerca de 25 mil pessoas), Demetrio, um próspero comerciante da região, começou a gritar e provocar o povo dizendo que Paulo estava insultando Artemisa. A população acabou acreditando e Paulo não teve outra escolha se não abandonar a cidade. Na verdade, Demetrio só começou a intriga, pois sentiu-se ameaçado por Paulo e poderia perder seu negócio, já que fazia e vendia pequenos  templos de Artemisa para vender aos peregrinos que por ali passavam.

Casa onde Maria, mãe de Jesus, passou seus últimos anos de vida.

A cidade de Éfeso fica entre dois morros e no alto de um deles, o Solmissus (Aladag), está a Casa de Maria, mãe de Jesus. Parece que foi ali que ela viveu os últimos anos de sua vida. Não há nenhuma citação na Bíblia sobre este fato, mas menciona que no momento da sua crucificação, Jesus, quando viu sua mãe e seu discípulo João disse a sua mãe: “Mulher, aqui está o seu filho” e na continuação disse ao discípulo: “Aqui está a sua mãe”. Esta é a razão pela qual, acredita-se, que João levou Maria para sua casa e mais tarde à Éfeso. Além disso, o Concílio de Éfeso (431) sustenta que Maria chegou à cidade com o apóstolo João e ali viveu e morreu. A  localização exata da casa foi descoberta em meados do século XIX  graças a uma visão de Catherine Emmerich. Esta senhora alemã, que durante quinze anos esteve prostrada em uma cama e nunca havia estado perto de Éfeso, sonhou com a casa de Maria em uma montanha perto de Éfeso e a descreveu com muitos detalhes. No ano de 1891 foram descobertas as ruínas de um edifício exatamente no lugar onde a senhora havia situado a casa. Pouco depois ao descobrimento, o arcebispo de Esmirna (hoje Izmir) autorizou a celebração de uma missa próxima à construção e a declarou como um local de peregrinação. Catherine também descreveu o local do túmulo de Maria nos arredores da casa, mas este ainda não foi descoberto. Quando chegamos no local, por uma incrível “coincidência”, estava sendo celebrada uma missa em português.  Logo na entrada já é possível avistar um poço de onde Maria tirava sua água e também a partilhava com outros habitantes da região. Depois de uma pequena caminhada já é possível avistar uma pequena casa de pedra. Ali dentro não é permitido tirar fotos, mas posso descrever como uma casa simples com um pequeno altar e algumas imagens. O mais intrigante é o clima e a sensação dentro da casa. Por ser um local de fé, é impossível não se emocionar e se sentir tocado, vendo aquelas pessoas ajoelhadas em frente ao altar, clamando aos prantos sua petição. Saindo da casa e descendo um pouco, existe um paredão com 3 fontes, onde as pessoas bebem da água que creem ser milagrosa e de onde se pode encher garrafas e levá-las consigo como lembrança. Depois das fontes, todo o muro é coberto de inúmeros papéis amarrados, contendo ali os pedidos de seus fiéis. É um passeio imprescíndível, pela atmosfera de paz que envolve o local. Não é possível assegurar que Maria realmente tenha vivido e morrido ali, mas com certeza existe algo especial naquele lugar.

Entrada das ruínas da Basílica onde está enterrado o apóstolo João.

Encerramos nosso dia na Igreja de São João, localizada em Selçuk, cerca de 10 minutos de Éfeso. Localizada no morro Ayasoluk, ali se pode encontrar as ruinas de uma Igreja Bizantina do século VI, em forma de cruz, construída pelo Imperador Justiniano em homenagem ao apóstolo João.  Ali está também o túmulo do discípulo. Segundo os Atos apócrifos de João, Domiciniano (81-96), quando soube que  João estava pregando em Éfeso e fazendo discípulos, mandou buscá-lo e o fez beber um veneno com o objetivo de matá-lo. Como não teve efeito algum em João, Domiciniano ficou impressionado com o fato e o exilou na ilha de Patmos. Foi ali que João teve as revelações, as quais estão detalhadas no livro de Apocalispse, inclusive com as cartas às Sete Igrejas do Apocalipse da Asia Menor (atualmente, Turquia).  De cima das ruínas é possível avistar uma antiga mesquita seljúcida e apenas uma coluna, ou seja, o que sobrou do Templo de Artemis, umas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. De lá regressamos à Kusadasi e lembra o que imaginei ontem durante o jantar? Pois é, se tornou realidade! Como ainda estava de dia, pudemos aproveitar a piscina e apreciar, de uma confortável espreguiçadeira, o pôr-do-sol mais lindo que já vi na vida! Mais um presente dessa terra cheia de surpresas…

Pôr-do-sol em Kusadasi

 

 

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Categorias: Turquia, Viagem | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “Turquia Dia 5 | Kusadasi/Éfeso/Selçuk/Kusadasi

  1. Silvia Commisso

    Como é bom viajar…Vemos tantos lugares bonitos, aprendemos muitas coisas, experimentamos sensações das mais diversas, degustamos comidas diferentes, descansamos (a mente ), nos divertimos, passeamos, conhecemos pessoas, enfim……é tudo de bom.
    Adorei a sua matéria. Como sempre muito bem escrita, com conteúdo, com informações precisas, com um gostinho de “quero mais”.
    Parabéns e continue aumentando nossa cultura de uma maneira bem agradável.
    Bjs

  2. Olá Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie – Boia Paulista

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