Turquia Dia 3 | Capadócia/Konya/Pamukkale

Hoje nos despedimos da Capadócia e continuamos nossa viagem pelo interior da Turquia rumo a Pamukkale e seus castelos de algodão. A distância entre o vilarejo de Urgup, onde estávamos hospedados na Capadócia, e Pamukkale é de, aproximadamente, 680 km. Levamos praticamente 12 horas de uma cidade à outra, mas fizemos duas paradas muito interessantes pelo caminho, o que deixou a viagem um pouco menos cansativa.

Nossa primeira parada foi em uma Kervan Saray (palácio das caravanas) próxima à cidade de Sultahani, cerca de 1 hora e meia da Capadócia. Kervan Saray são hospedarias construidas pelo governo turco com o intuito de abrigar os comerciantes da rota da seda. Eles vinham da China e passavam pela região com o objetivo de se chegar à Istambul, mas tinham como destino final a cidade italiana de Veneza. Haviam hospedarias deste tipo por toda a rota, pois os camelos tinham que fazer uma parada para descansar a cada 30 km percorridos. O governo turco ofereceria a hospedagem de forma gratuita aos comerciantes, mas em troca tinham que pagar impostos para passar pela rota. Na época em que foi construída, por volta de 1230, esta era a maior hospedaria de toda a Turquia. E, posteriormente, surgiram outras ainda maiores. Foi apelidada como hospedaria do sultão, pois naquela época Konya era a capital do império seleujcida e por ficar próxima da capital, o sultão se hospedou ali por algumas vezes. Dentro da hospedaria havia um espaço externo bem grande para abrigar os camelos, uma mesquita e uma parte coberta para os dias de inverno, que nesta região são muito rigorosos. Haviam mais espaço para camelos do que pessoas, uma vez que cada comerciante poderia trazer consigo até 50 camelos em cada viagem.

Bonecos retratam a vida dos dervixes

Depois de mais 1 hora e meia de viagem fizemos uma outra parada, desta vez em Konya.  Esta cidade de 1 milhão de habitantes é muito conhecida pela cultura de beterrabas, trigo e girassóis. A cidade também abriga duas grandes indústrias automobilísticas (Mercedes e Toyota), além de fábricas de tratores, máquinários agrícolas e usinas de açúcar, extraído da beterraba. Tendo sido a capital do império seleújcida (como já mencionei anteriormente), Konya mantém seu ar conservador e passando pela cidade é possível ver muitas mulheres totalmente cobertas de roupas e véus.  Ali visitamos o Museu de Mevlana, conhecido como um dos maiores místicos do mundo islâmico. Foi ele que, no século XIII, fundou a seita Dervixe Mevlevi e sua maior obra é o Mesnevi. Sua filosofia ficou bastante conhecida através dos dervixes que rodopiam, pois Mevlana acreditava que a dança era um meio de induzir o indivíduo a um estado de êxtase e que te faz livre de toda a ansiedade, conduzindo à paciência e ao amor universal. A famosa cerimônia do rodopio é chamada de sema, a qual combina na sua prática elementos espirituais e intelectuais.. Além disso,  Mevlana era o grande líder dos sufistas. Sufi é uma palavra turca que significa lã. As roupas de Mevlana e dos dervixes eram feitas de lã para simbolizar o anti-materialismo, já que naquele tempo as pessoas mais poderosas e com maior poder aquisitivo usavam seda. O museu é uma ampliação dos alojamentos dos dervixes e ali é possível visitar tumbas (inclusive de Mevlana e seus familiares), a fonte das abluções, além dos locais onde os derviches dormiam, comiam e praticavam seus rituais. O ponto alto da visita é uma caixinha em destaque no meio de uma das salas do museu, onde se acredita estar pedaços da barba de Mevlana. É comum ver pessoas reverenciando e orando ao redor do objeto.

Parte interna do Museu Mevlana em Konya

Almoçamos em Aksehir, região famosa pelas cerejas e pela papoula. Um pouco antes de chegar à Pamukkale, na cidade de Dinar, parada obrigatória em um restaurante na beira da estrada para experimentar o iogurte coberto com mel e semente de papoula. Além de delicioso, dizem que é afrodisiaco, como quase tudo aqui na Turquia. O nome do restaurante é Akdeniz Tesileri, é pouco charmoso, mas vale a pena parar apenas para provar o iogurte. Por fim, chegada em Pamukkale exaustos, mas muito ansiosos pelos castelos de algodão!

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