Turquia Dia 2 | Capadócia

Começo meu segundo dia na Turquia resgatando um dos momentos mais mágicos da minha vida: sobrevoar a Capadócia a bordo de um balão. Dali de cima, já era possível sentir o ar de mistério desta região. O verbo “sentir” é o mais apropriado, pois mesmo depois de conhecer de perto suas cavernas, igrejas e cidades subterrâneas, fica difícil descrever em termos físicos sua beleza, ao mesmo tempo, exótica e singular. Na antiga língua persa, Capadócia significava “terra de belos cavalos”. Mas o que realmente define esta área localizada bem no centro da Turquia são as extraodinárias esculturas cônicas, chamadas peri bacalari ou, simplesmente, “chaminés das fadas”. Essa paisagem surgiu há cerca de 30 milhões de anos, quando vulcões ativos cobriram a região com suas cinzas, as quais se solidificaram em um material de fácil erosão denominado tufa. Acima dela existe uma cobertura de basalto, a qual funciona como proteção e constitui a “tampa” destas chaminés.  A Capadócia cobre uma área de 300 km quadrados e possui vários vilarejos, dentre os quais destaco Nevsehir, Urgup (onde fica a maioria dos hotéis, inclusive o nosso) e Avanos. Cada um deles tem sua vida própria e ali é possível encontrar restaurantes, lojas, cafés, hotéis, museus e, claro, uma mesquita, já que a Turquia é 99,8% muçulmana.

Yunak Evleri | Nosso hotel na Capadócia – super recomendado!

Devido a sua origem vulcânica, o solo da Capadócia é muito fértil. A agricultura foi por muitos anos a principal atividade da região. Aqui se planta, principalmente, abóboras (apenas para consumo de suas sementes), trigo, batatas, grão-de-bico e uvas. Sim, a Capadócia também é famosa por seus vinhos, tintos ou brancos. Em nosso tour pela região pudemos conhecer o Vale das Pombas e ali está, segundo os vinicultores, o segredo para a boa qualidade de sua bebida. Neste local, os buracos nas pedras são feitos pelos homens e pintados de branco para atrair as pombas. O objetivo é recolher suas fezes para servir de adubo para as vinhas. Por volta dos anos 80, o turismo começou a se tornar a base da economia local e os habitantes da região começaram a migrar do campo para se dedicar à atividade turística. Até hoje, não existem redes hoteleiras famosas na Capadócia e os hotéis que hoje existem aqui são dirigidos por habitantes da região. Só para se ter uma idéia, em 2011 passaram por aqui cerca de 2 milhões de turistas.

Árvore repleta de olhos turcos na Vale das Pombas

Nosso passeio começou pelo Museu ao ar livre de Goreme. Neste vale estão concentradas capelas e monastérios escavados nas rochas de tufa. São Basílio, natural de Kayseri, chegou à região por volta do século IX d.C. e criou os dois primeiros monastérios com o objetivo de trazer o cristianismo para na região. As principais capelas do museu são as de Santa Bárbara e a Yilanli. Ali é possível apreciar a arquitetura original com toda sua simbologia e afrescos. Em ambas estão retratadas diversas passagens bíblicas, com destaque para São Jorge, nascido na região e retratado em ambas as igrejas matando um dragão/serpente, o símbolo do mal.

Goreme – museu a céu aberto

Em seguida, seguimos para uma das diversas cidades subterrâneas da Capadócia. Estima-se que cerca de 150 cidades subterrâneas foram construídas na região, mas apenas 36 delas foram descobertas até hoje. As primeiras surgiram com os hititas há cerca de 1500 a.C., mas foram as antigas comunidades cristãs que deram continuidade e expandiram essas cidades a partir do século VII d.C.. A função principal era a defesa e os cristãos chegavam a ficar 6 meses embaixo da terra. Essas cidades passaram a perder sua utilidade no século XI d.C. com a chegada dos turcos que trouxeram paz para os cristãos. O nome da cidade subterrânea que visitamos foi Derinkuyu, a segunda mais importante da região e com 8 andares subterrâneos, mas apenas 4 estão abertos para visitação. Existem cidades com até 12 andares subterrâneos e onde viviam até 20.000 pessoas.

Castelo de Uçishar

Ainda pudemos visitar o Castelo de Uçishar, também escavado nas pedras e em outro vale pudemos apreciar dezenas de chaminés de fadas, com uma vista panorâmica incrível! Se quiser aproveitar a noite, comer uma comida típica e apreciar um show com danças tradicionais da Turquia, vá ao Turkish Night. Existem várias opções e o que conhecemos foi o Uranos, no vilarejo de Avanos. A comida e o espetáculo são bons, vale a pena conhecer, mas aconselho não ir com grandes expectativas. Infelizmente não tenho dicas de restaurantes na Capadócia por culpa do nosso hotel (Yunak Evleri). Além de estar incluso no preço da diária, a comida de lá é deliciosa, de verdade!!! Mas um prato típico da região é o Testi Kebab, ou cordeiro na moringa, o qual apreciarei em um restaurante superrecomendado em Istambul, o Amedros. Mas durante meu passeio pelo centro de Urgup, reparei que existem muitos restaurantes locais que oferecem este prato, mas não posso indicar nenhum porque não experimentei.

Terminamos nosso passeio em uma loja de tapetes em Avanos, famosa por estar no Guiness Book como o melhor e mais fino tapete do mundo. Ele nos explicou que a diferença do tapete turco do persa está na quantidade de nós. No tapete turco são dois e no persa apenas 1. Além disso, os valores dos tapetes variam de acordo com o material. A ordem é a seguinte: kilim (mais barato), lã, algodão com lã, só algodão e seda (o mais caro e mais lindo também!). Quase todas as lojas de tapete (inclusive esta) entregam no Brasil sem custo algum, pois é um incentivo do governo turco e eles não perdem nada com isso. Mas caso consiga levar o tapete na sua mala, peça desconto. Além de apreciar os lindos tapetes na parte superior da loja e de bebericar um chá de maçã e/ou café turco, pudemos ver ao vivo algumas moças trabalhando em seus tapetes, além de nos explicar  e demonstrar como é feita a extração da seda diretamente do bicho. É impressionante o trabalho que dá para fazer alguns centímetros de tapete, é realmente uma obra de arte! Depois de presenciar tudo aquilo, você começa a reconhecer o trabalho dessas meninas que, infelizmente, não são remuneradas como deveriam e entende a razão das peças terem um valor alto. Mas isto não siginifica que não precise pechinchar. Pechinche e muito, quando você pensa que não há mais negócio, eles aceitam. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.

Hoje meu guia disse uma frase que é a mais pura verdade e é com ela que termino o post de hoje: “Existem duas grandes belezas na Capadócia. Uma delas  é o que está acima da terra e a outra é o que está embaixo dela.”

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Categorias: Turquia, Viagem | Deixe um comentário

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