Dois dias em Santiago do Chile (Primeiro dia)

Vindo de São Paulo, o voo até Santiago dura em média 4 horas. Já é possível vizualizar do avião a marca registrada da cidade: a Cordilheira dos Andes. A fileira de montanhas, que em grande parte do ano está com seus picos cobertos de neve, pode ser vista de toda a cidade e tem função de bússola para os turistas: se a Cordilheira estiver à sua direita, você está mirando o norte e se estiver à sua esquerda, o sul. A viagem de taxi do aeroporto Comodoro Arturo Merino Benitez até o centro da cidade  dura mais ou menos 30 minutos. A capital chilena, com seus 5,5 milhões de habitantes, é esparramada e com construções não muito altas, já que o custo para construir prédios é muito cara, pois precisam de tecnologia para proteção contra os terremotos que ocasionalmente atingem o país. Outro traço marcante na paisagem da cidade é a poluição. Nada que assuste uma paulistana como eu, mas como podem notar na foto acima, a densa camada de sujeira pode atrapalhar a beleza de uma foto. Por ser plana, a melhor forma de desbravar a cidade é a pé. Mas para percorrer grandes distâncias, a forma mais rápida e barata é o metrô, que possui linhas e estações bem próximas dos principais monumentos e locais de interesse dos turistas. No entanto, em horários de pico e à noite é melhor que se utilize os taxis, numerosos pela cidade e normalmente não muito caros. Outra forma de transporte, que eu utilizei e recomendo é o turistik. Trata-se de um ônibus de turismo de dois andares com o sistema “hop on/hop off”, de onde é possível subir e descer quantas vezes quiser durante o trajeto que inclui 13 paradas nas principais atrações da cidade.

Começamos nosso primeiro dia na “La Chascona”, uma das casas do escritor chileno Pablo Neruda. Ali o poeta e vencedor do prêmio nobel de literatura viveu até sua morte com sua terceira e última esposa Matilde. O mar foi a grande inspiração de Neruda na construção desta casa, a qual deu o apelido de “La Chascona” (descabelada) em homenagem à vasta cabeleira de sua amada. Vale a pena conhecer, mas é preciso reservar previamente sua visita por telefone ou através do site da Fundação Neruda (http://www.fundacionneruda.org/en/la-chascona/address.html).

Funiculare

Logo em seguida, cerca de 200m dali, já está a entrada do funiculare que nos levou ao alto do Cerro San Cristóbal (é possível também subir de carro, a pé ou bicicleta). O morro, com seus 860m de altura, é na verdade um Parque (PMS – Parque Metropolitano de Santiago) que oferece a seus visitantes, além de uma maravilhosa vista da cidade, muitas outras atrações, tais como zoológico, piscinas públicas, jardins, museus e restaurantes, além da famosa estátua da “Virgen de la Inmaculada”. O Parque é imenso e conta com um público muito diversos: idosos, adultos, crianças, ciclistas, corredores e como era “viernes santo”(sexta-feira santa) também muitos cristãos acendendo suas velas e fazendo suas orações. Apenas uma observação quanto ao feriado:  o Chile é um país cuja maioria da população é católica e, por isso, grande parte do comércio de rua e restaurantes não abrem na sexta e alguns no sábado e domingo também. Fica a dica para você que está programando sua viagem para Santiago nesta data.

Mercado Central

Restaurante Donde Augusto

Assim que descemos o morro, pegamos nosso ônibus da turistik e seguimos rumo ao Mercado Central. Em nosso caminho passamos pelas ruas do bairro Bellavista, conhecido como polo cultural de Santiago, com diversos teatros, cafés, restaurantes e pubs. Muitos deles estão concentrados no Patio Bellavista, um centro gastrônomico e de compras, muito interessante para se conhecer e visitar principalmente à noite. Ao chegar ao Mercado Central nos deparamos com uma construção térrea e de estilo neo-clássico, o qual foi criado inicialmente para servir de centro exposições de artistas nacionais, mas que em 1872 foi inaugurado como Mercado. O local estava cheio por conta do feriado, pois todos (chilenos e turistas) queriam apreciar os pratos com peixes e mariscos preparados pelos restaurantes que funcionam na praça interna do Mercado. O mais famoso deles, o Donde Augusto, foi a nossa opção e lá pude provar o congrio, peixe tradicional da região na cia de um belo e refrescante vinho branco.

Palacio de la Moneda

Após nosso delicioso almoço, partimos rumo ao centro histórico, mais precisamente até a “Plaza de la Constituición”. Em torno desta esplanada triangular é possível encontrar alguns dos prédios mais importantes ligados ao Poder Executivo Chileno, dentre os quais destaco o “Palacio de la Moneda”, a sede da presidiência do Chile. Apesar da sua aparência imponenente e neo-clássica, o seu interior, que também pode ser visitado, recebe uma decoração contemporânea e conta também com um Centro Cultural que abriga mostras internacionais e show de artistas chilenos. Em frente ao Palácio acontece a troca da guarda a cada dois dias, às 10 da manhã.

Saindo da “Praça de la Constituición” rumo à “Plaza de Armas” é impresíndivel passar pelos calçadões do centro, principalmente nos Paseos Ahumada e Huérfanos. A maioria das lojas estavam fechadas pelo feriado, mas tivemos a sorte de conferir e comprovar o famoso “cafés con piernas” no Café Haiti. São célebres e respeitáveis estabelecimentos chilenos onde clientes (homens e mulheres) são servidos por garçonetes com minissaias.

Catedral Metrpolitana

Continuando nossa caminhada pelo Paseo Ahumada, nos deparamos com outra famosa praça da capital chilena, a “Plaza de Armas”, o marco zero e centro simbólico de Santiago. Foi projetada de acordo com a tradição espanhola de reservar um quarteirão da cidade para desfiles e agora é um ponto de encontro de estudantes, pregadores, artistas de rua e pedintes. Ali é possível contemplar os edificios históricos mais relevantes da cidades: a Catedral Metropolitana, a Prefeitura de Santiago, o Correio Central, o ex- Congresso Nacional, o Tribunal de Justiça, o Palácio de la Real Audiencia, o Museo Chileno de Arte Precolombiano e a Casa Colorada. O único local que pudemos entrar  e visitar foi a Catedral Metropolitana, onde estava acontecendo uma missa. Destaque para suaporta de entrada que foi esculpida por jesuitas e para o altar todo de mármore, bronze, lápis-lazúli (pedra semi-preciosa encontrada apenas nos Andes e no Afeganistão) e prata, trazido de Munique-Alemanha em 1912.

Ruas arborizadas e tranquilas no bairro da Providencia

Por fim, seguimos a pé pela Rua Compañia Merced desde a “Plaza de Armas” até o Cerro Santa Lucía, colina onde foi fundada em 12 de fevereiro de 1541 por Pedro de Valdivia a cidade de Santiago. O principal acesso é pela Avenida Alameda através  da escadaria que sai da “Plaza Neptune”. Dali é possível avistar no alto da colina o “Castillo Hidalgo”, erguido pelos realistas na guerra de independência entre os anos de 1814 e 1817. Ali, pegamos o turistik e seguimos em direção ao nosso hotel, no bairro Los Condes (que tratarei no próximo post) e no trajeto passamos pelo bairro da Providencia, famoso por suas ruas tranquilas e arborizadas, com muitas lojas, restaurantes e cafés. Na Providencia, destaco o Bar Liguria, com três endereços no mesmo bairro, atrai gente de todas as tribos oferecendo aperitivos, sanduíches e frios até 2 da manhã nos dias de semana e 5 da manhã nos fins de semana.

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Categorias: América do Sul, Viagem | Tags: , , , , , , | 4 Comentários

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4 opiniões sobre “Dois dias em Santiago do Chile (Primeiro dia)

  1. Silvia Commisso

    Santiago é uma cidade muito bonita, com vários locais ao ar livre para serem visitados, com uma beleza sem igual. A Cordilheira dos Andes também dá a cidade um charme todo especial.Foi muito bom ler o seu artigo, ver as fotos, assim pude relembrar dias maravilhosos que lá passei, além de obter informações novas que serão muito úteis numa próxima viagem a capital chilena.

  2. Débora

    Adorei a cidade … estou louca para ler o post sobre o segundo dia! Fiquei morrendo de vontade de conhecer!!! hehe
    Beijos
    Débora

  3. Pingback: Semana Santa na América do Sul | O que abre e o que fecha « Esporte na mochila

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