Templo Rinno-ji e Santuário Tosho-gu – Nikko

Como havia prometido no post anterior, detalharei aqui as principais atrações do TEMPLO RINNO-JI e do SANTUÁRIO TOSHO-GU, ambos localizados em Nikko. Tenho medo de estar cometendo um grande erro em dar ênfase a apenas essas duas construções. E não é para menos, já que estou tentando eleger os melhores dentre uma lista que foi designada Patrimônio da Humanidade em 1999. Mas como ainda não estive lá e apenas escrevo o que leio nos meus guias e anotações,  acho que mereço um desconto. Antes de começar, gostaria de falar um pouco sobre qual o comportamento esperado dos visitantes pelos japoneses nestes locais. Pelo que tenho lido, o Japão é considerado um povo muito mais supersticioso do que religioso. O clima em templos e santuários é descontraído, mas os turistas devem demonstrar respeito e não fazer muito barulho ou falar alto. Exceto em prédios com piso de pedra, é preciso deixar os sapatos na entrada ou carregá-los consigo. A organização dos japoneses é tanta que muitas vezes há sacos plásticos na porta, especialmente se os locais de saída e entrada forem diferentes. A possibilidade de fotografar varia muito de um templo para o outro. Em alguns é permitido e em outros terminantemente proibido. Agora, vamos ao que interessa:

TEMPLO RINNO-JI

O TEMPLO RINNO-JI é considerado o primeiro e mais importante de Nikko. Foi fundado em 766 por Shodo Shonin, monge que introduziu o budismo na cidade no século 8. Inicialmente era chamado de SHIHONRYU-JI, mas quando se tornou um templo da seita Tendai, no século 17, passou a ter o nome atual.

Dentro deste templo existe um grande salão, o SANBUTSU-DO (Salão dos Três Budas), com três imagens douradas: BUDA AMIDA, SENJU KANNON (“de mil braços”) e BATO KANNON (“cabeça de cavalo”). Mais adiante no salão encontramos a COLUNA SORINTO, a qual possui nove argolas de bronze contendo mil volumes de sutras (“escrituras budistas”) e é considerada pelos japoneses o símbolo da paz.

Além disso, neste templo é possível visitar o HOMOTSUDEN (“salão do tesouro”), bem como o SHOYEN, um jardim de passeio em estilo Edo do século 17, com paisagismo relacionado a cada estação do ano.

SANTUÁRIO TOSHO-GU

Conta a história que Tokukawa Ieyasu (1543-1616) foi um político, mestre e estrategista que passou a vida acumulando poder e só se tornou xogum em 1603, com 60 idade. Sua vontade era que, quando morresse, seu corpo fosse colocado em um santuário como um deus e gongen (“encarnação de Buda”). Seu neto, Tokugawa Iemitsu, sabendo deste seu desejo e querendo impressioná-lo,  resolveu construir um mausoléu-santuário para seu avô. Durante dois anos, 15 mil artesaos de todo o Japão talharam, douraram, pintaram e laqueram sem trégua para criar este conjunto maravilhoso em estilo Momoyama.

Pagode

Nesta construção podemos encontrar vários elementos budistas, tais como a BIBLIOTECA SUTRA, O PORTAL NIOMON e o PAGODE, com 36 metros de altura e cinco andares, o qual foi doado por um daimyo (“senhor feudal”) em 1650 e teve que ser reconstruído em 1818 depois de um incendio em 1815. Cada andar representa, respectivamente, a terra, a água, o fogo, o vento e céu.


Portal Yomeimon

Basta olhar para a imagem ao lado para perceber que uma das grandes atrações deste santuário é o PORTAL YOMEIMON. Ricamente adornado com animais e flores, este portal possui mais de 500 esculturas esculpidas, representando divindades, seres espirituais, cenas de lendas e histórias mitológicas. Pode-se dizer que esse conjunto de figuras, o portal em si e até mesmo todo o templo foram feitos para simbolizar um mundo de harmonia e paz. Isso porque o Japão viveu um longo período envolvido em guerras internas e graças ao domínio de Ieyasu estabeleceu-se o fim dos conflitos e a sociedade pode, finalmente, se desenvolver.

Entretanto, podemos considerar que você não conheceu o SANTUÁRIO TOSHO-GU  se não encontrou o entalhe de duas célebres imagens. A primeira fica na parte externa da parede do Shinkyusha (“o estábulo do cavalo sagrado”), encontrado após se passar pelo primeiro portal. Entre os oito painéis fixados na parede está o que mostra a imagem universalmente conhecida dos três macacos com as mãos tampando os olhos, os ouvidos e a boca, chamado em japonês de sanzaru. Essa escultura do TOSHO-GU é tão famosa que muitas pessoas acreditam que a história teria surgido aqui, mas na verdade ela já era conhecida no antigo Egito e teria sido introduzida no Japão junto com o budismo. O significado da imagem é: não ver o mal, não ouvir o mal e não falar o mal. A outra escultura que causa sensação é a nemurineko, a que mostra um gato dormindo. Ela fica no portal da escadaria de acesso ao túmulo de Ieyasu e também simboliza o estado de paz, a ponto de o bichano poder tirar uma soneca tranquilo, recebendo a luz do sol.

Sanzaru

Anúncios
Categorias: Esporte + Viagem, Japão, Viagem | Deixe um comentário

Navegação de Posts

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: